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Perto do Céu

Nacho Vegas

Cerca del cielo

Si pudiera elegir
sólo un deseo
pediría vivir
siempre cerca del cielo,
de un cielo tan real
como el abismo,
en una guerra tan cruel
como la de uno contra uno mismo.

¿Querrás consentir
a quien quiere vivir
así, así, así ...
como Sísifo?

Empeñado en subir, para luego bajar
por pendientes imposibles.
No cejé un tanto así y al final conseguí
completar los catorce ocho miles,
y aún me sobró tiempo para gritarle a los astros:
"ved lo que soy",
y que el resto no es más
que guijarros que caen al vacío.

Sólo yo contra mí
y contra los elementos,
calculando al milímetro
el más leve movimiento.
Mi cruz es de piedra
y mira al precipicio.
Seguiré hasta el final,
seguiré hasta el día del Juicio.

¿Querrás consentir
a quien quiere morir
aquí, aquí, aquí ...
en los Alpes?

Y que vuelve a subir, y después descender
por terrenos casi impracticables.
Si consigo avanzar tal vez logre ahogar
algo dentro de mí inextirpable,
algo que se retuerce y que no se detiene
y que hará que ahora vuelva a repetirlo:
cuando haya de morir quiero hacerlo aquí,
CERCA DEL CIELO.

Y me aferro a una roca más dura que dios
y la falta de oxígeno nubla mi cabeza
y sé que un poco más bastará para salvarme,
un trozo de verdad bastará para salvarme,
un centímetro bastará para salvarme,
una sola gota bastará para salvarme,
un poco de paz bastará para salvarme,
un trozo de verdad bastará para salvarme.

Perto do Céu

Se eu pudesse escolher
só um desejo
pediria viver
sempre perto do céu,
de um céu tão real
quanto o abismo,
em uma guerra tão cruel
como a de um contra si mesmo.

Você vai consentir
com quem quer viver
assim, assim, assim ...
como Sísifo?

Determinado a subir, pra depois descer
por encostas impossíveis.
Não desisti nem um pouco e no final consegui
completar os catorze oito mil,
e ainda sobrou tempo pra gritar pros astros:
"vejam o que sou",
e que o resto não é mais
que seixos caindo no vazio.

Só eu contra mim
e contra os elementos,
calculando milimetricamente
o mais leve movimento.
Minha cruz é de pedra
e olha pro precipício.
Vou até o fim,
vou até o dia do Juízo.

Você vai consentir
com quem quer morrer
aqui, aqui, aqui ...
nos Alpes?

E que volta a subir, e depois descer
por terrenos quase impraticáveis.
Se eu conseguir avançar talvez consiga afogar
algo dentro de mim inextirpável,
algo que se retorce e que não para
e que fará com que agora eu repita:
quando eu tiver que morrer quero fazê-lo aqui,
PERTO DO CÉU.

E me agarro a uma rocha mais dura que Deus
e a falta de oxigênio nublam minha cabeça
e sei que mais um pouco será o suficiente pra me salvar,
um pedaço de verdade será o suficiente pra me salvar,
um centímetro será o suficiente pra me salvar,
uma única gota será o suficiente pra me salvar,
um pouco de paz será o suficiente pra me salvar,
um pedaço de verdade será o suficiente pra me salvar.

Composição: