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Festa de Orgias

Nacho Vegas

Gang-Bang

Hay cerca del Damm
cuatro putas que bailan un vals
detrás del cristal,
y se puede sentir
el sudor fuerte desde Berlín.
Tú allí, en soledad,
una lluvia muy fina golpea tu cara,
resbala en tu piel y a la vez
se ilumina un cartel ofreciéndote
Libertad y Sordidez,
todo a un precio que un hombre moderno
ha de ser capaz de pagar
una vez que la noche echa a andar.
¿No lo ves? Tu carne es más pálida.
¿No lo ves? Tu alma es más gris.
Si no pierdes al fin la razón
verás que no hay más que una solución:
¡Cas...tra...ción!

Y todas las cosas que hice mal
se vuelven hoy a conjurar contra mí.
¿Cómo habré llegado a esto...
No lo sé,
...tan lúcido y siniestro?
pero sé que no lo sé.

Y un hombre de traje me invita a pasar...
¡Gang-bang!

Ves desde tu hotel
aguas quietas igual que papel de plata
y el viento arrastra el olor
de la pérfida enana marrón.
Mira que tú fuiste el rey,
con tu cetro en la mano
y los ojos clavados en gente
que sabes que no llegarás a conocer
ni aunque vivas mil años
y el cielo se postre a tus pies,
pero su mirada no se despega de tu pantalón.
Y echas a andar por la ciudad
y atraviesas un nuevo canal.
Huyes del rojo y azul del neón,
vas en busca de algo que huela distinto al amor.

Y si viviera una vez más,
¿me volvería a equivocar otra vez?
Sí, no te quepa duda,
hasta la locura
y hasta el dolor.

Y un hombre de traje me invita a pasar...
¡Gang-bang!

Festa de Orgias

Tem perto do Damm
quatro garotas dançando um vals
atrás do vidro,
e dá pra sentir
o suor forte vindo de Berlim.
Você ali, na solidão,
uma chuva bem fina batendo no seu rosto,
escorrendo na sua pele e ao mesmo tempo
um letreiro se acende te oferecendo
Liberdade e Sordidez,
tudo a um preço que um homem moderno
tem que ser capaz de pagar
uma vez que a noite começa a rolar.
Não tá vendo? Sua carne tá mais pálida.
Não tá vendo? Sua alma tá mais cinza.
Se você não perder a razão no fim
vai ver que só há uma solução:
¡Cas...tra...ção!

E todas as coisas que fiz de errado
se voltam hoje contra mim.
Como cheguei a isso...
Não sei,
...tão lúcido e sinistro?
mas sei que não sei.

E um homem de terno me convida a entrar...
¡Festa de orgias!

Você vê do seu hotel
águas paradas igual papel alumínio
e o vento leva o cheiro
da pérfida anã marrom.
Olha que você foi o rei,
com seu cetro na mão
e os olhos fixos em pessoas
que sabe que nunca vai conhecer
e mesmo que viva mil anos
e o céu se prostrar aos seus pés,
mas o olhar dela não desgruda da sua calça.
E você começa a andar pela cidade
e atravessa um novo canal.
Foge do vermelho e azul do neon,
vai em busca de algo que tenha cheiro diferente de amor.

E se eu vivesse mais uma vez,
vou errar de novo?
Sim, não tenha dúvida,
até a loucura
e até a dor.

E um homem de terno me convida a entrar...
¡Festa de orgias!