Eu te encontrei na beira do erro
Onde a noite aprende a mentir
Com um fósforo aceso na alma
E o vento tentando apagar
Tua voz era faca de tantos ais
Cortando o sal do meu cais
E eu, feito barco sem porto
Ancorei no que não se prende mais
Você vinha com cheiro de chuva
Num deserto que eu chamei de razão
Trazendo um incêndio calado
No porão do meu coração
Tua pele era mapa sem ruas
Sem retorno, sem tradução
E eu me perdi nos teus traços
Como quem desaprende o chão
Se o mundo pede silêncio
Tua voz grita em mim
Feito sino rasgando o tempo
No meio do não e do sim
Amor rebelde não pede licença
Entra quebrando a porta do nunca mais
É fogo que dança na beira da ausência
É queda que ensina o corpo a voar
Amor rebelde não cabe na fôrma
Não se comporta pra se eternizar
É chama que insiste quando tudo dorme
É vida dizendo que não vai parar
Nosso erro virou linguagem
Que nem Deus ousou traduzir
Uma prece dita ao contrário
Pra ver o céu se abrir
Teu riso desarma as horas
Faz o tempo se contradizer
E até minhas certezas mais duras
Aprendem contigo a ceder
Se for pra cair, que seja contigo
No abismo que inventa sedução
Se for pra perder o juízo
Que seja encontrando outra razão
Amor rebelde não pede licença
Entra rasgando o roteiro do tanto faz
É fogo que arde na contramão da crença
É salto sem rede, e ainda quer mais
Amor rebelde não teme o abismo
Faz do vazio um lugar pra ficar
É chama que escreve o próprio destino
É vida teimando em recomeçar
Se amar é risco, eu continuo
No risco de te amar
Se amar é riso, eu continuo
No riso de te amar
No risco de te amar
No riso de te amar
Eu permaneço