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Depois do Inverno

Newton Jayme

Canta, ó lavoura! Canta, terra ardente
Que o pranto um dia regou teu chão
Do sulco aberto, do coração dolente
Nasce a esperança, floresce o pão

Canta o fascínio rude da roça
O milho em ouro, a videira em flor
O arrozal que ao vento se balança
E o trigo que aguarda o forno e o calor

A uva se espreme, rubra, sangrenta
Como se a terra recordasse a dor
Mas, sobre os campos, a vida fermenta
E o fruto amadurece em liberdade e amor

Ó terra! Que foste altar de agonia
Onde o açoite escreveu sua canção
Hoje recebes a luz de um novo dia
E já não gemes sob a escravidão

Enchei os pratos! Que a mesa floresça!
Que haja fartura onde houve aflição!
Que cada grão seja um hino à promessa
De um povo que reconquistou seu chão!

E quando o céu se vestir de cores
Depois da noite, depois do vendaval
Que a liberdade semeie seus valores
Nos campos, nos homens, no mundo rural

Canta, lavoura! E que o teu canto diga
Àqueles que tombaram sem perdão
Do inverno nasce a primavera antiga
E a terra livre devolve o fascínio do pão!

Composição: Newton Jayme