Espavorida agita-se a criança
De noturnos fantasmas com receio
Mas, se abrigo lhe dá materno seio
Fecha os doridos olhos e descansa
Assim também minh’alma, peregrina
Carrega em silêncio a despedida
Perdeu-se no caminho desta vida
A esperança que outrora era divina
Ó amada Pátria, longe de teus braços
Guardo no peito a terra que me deste
Um punhado de chão, último enlace
Onde meu sonho enfim encontre paz
Se o sono vier sereno ao meu jazigo
E a noite apagar minhas lembranças
Como a criança no colo amigo
Dormirei embalado por esperanças
Perdido é para mim todo o desejo
De voltar ao Brasil que me acolheu
Mas a terra querida que me deu
Será meu abrigo na bonança
E entre visões de paz, de luz e glória
Sem medo das sombras do caminho
Ouvirei a canção da eterna história
Como um pássaro cantando baixinho
E entre visões de paz, de luz, de glória
Sereno aguardarei no meu jazigo
Deus escreverá na história humana
A sentença final dos meus algozes
Na voz do tempo, clara e soberana
Quando a verdade romper toda a escuridão
Deus escreverá na história humana
A última palavra da redenção