Quando a sombra veste o céu
Com seu manto de silêncio
Não é a morte da manhã
É só um breve esquecimento
A Lua toca o rosto do Sol
Como quem pede um instante
Mas nenhuma noite consegue
Prender o fogo viajante
A luz conhece caminhos
Que a escuridão desconhece
Ela atravessa as feridas
Onde a esperança resplandece
Há eclipses na alma
Há invernos no coração
Há estrelas escondidas
Atrás da própria solidão
Mas o tempo é um rio aceso
Correndo dentro do infinito
Leva embora as sombras velhas
Devolve o azul ao perdido
Porque a luz não desaparece
Apenas muda de direção
Às vezes dorme na sombra
Para nascer em outra estação
Eu sou feito de amanheceres
De abismos e recomeços
Carrego luas quebradas
E sóis dentro do peito
Nenhum eclipse é eterno
Nenhuma noite é senhora
A chama que mora no mundo
Sempre encontra a sua aurora
E quando a sombra partir
Deixando o céu novamente aberto
Vou saber que até o escuro
Guardava a luz por perto
Porque a luz em movimento
Nunca aprende a morrer
Ela apenas atravessa a sombra
Até voltar a florescer