Dorme, meu amor
Dorme, meu amor
Que a noite te proteja no escuro
Com mãos de costureira antiga
Ponto a ponto, sem ferir tua beleza
Meu amor, és a alma da minha alma
Teus olhos, tão cheios de multidões
Fecham as portas por dentro
Guardando um resto de claridade
Que nem o dia compreendeu
Não te assustes
Do escuro sem luar
Ele não toma, devolve
É só o tempo, mais lento
Desfazendo o ruído das horas
E eu fico aqui
Do lado de fora do teu sonho
Segurando teu nome na boca
Como quem guarda um segredo
Pra não deixar cair no mundo
Teu corpo em mim se acomoda
Sem pedir licença
Como água em sua própria curva
Como coisa que sempre foi minha
Sem nunca ter sido posse
Se a noite demorar, deixa
Há noites que sabem mais de nós
Do que o dia ousa dizer
Dorme, meu amor
Lá fora, o mundo se repete
Erra, insiste, esquece
E tira a paz
Aqui, no intervalo do nosso prazer
Há um silêncio que não mente
Meu amor, és a alma da minha alma
Alma que em mim se acalma
Sem medida, sem fim
Meu amor, és a alma da minha alma
Mais que palavra ou chama
És inteiro em mim
E quando a manhã te chamar
Não te levantes de uma vez
Abre os olhos devagar
Como quem não quer assustar a luz
Que ainda mora no escuro
Que o dia te encontre inteiro
Com a noite ainda nos cílios
E que teus passos, ao tocar o chão
Ensinem o tempo a ser leve
Acorda, meu amor
Não como quem volta
Mas como quem
Aprende de novo
O caminho de casa
Sem mapa
Sem pressa
Só porque o coração lembra
Acorda, meu amor
Como nasce o Sol
Sem pressa, mas inevitável
Fazendo do escuro
Apenas memória de descanso
Saudade do nosso amor
Onde aprendi a te ninar
Logo mais volta a noite
Memória do descanso
Saudade do que somos
No amor que te ensinou a sonhar
Meu amor, és a alma da minha alma
Alma que em mim se acalma
Quando o mundo é demais
Meu amor
És a alma da minha alma
E se o tempo nos chama
Eu te encontro na paz
Alma da minha alma
Alma minha
Alma em mim