Meus navios
Meus rios meu leito
Minha taça sedenta e vazia
Carrego dentro de mim um deserto
Onde a noite adormeceu meu dia
A dor atravessa um estreito
Feito nau perdida no mar
E, no silêncio do meu interior
Aprendi sozinho a esperar
O beijo ainda sangra meus lábios
Entre desejos e desvarios
Não sei se eram sonhos ou naufrágios
Não sei se eram mares ou rios
Deixei pelo caminho tantos ensaios
As promessas que o tempo levou
Amar, onde ficaram teus bravos
Ventos que a vida guardou?
Ah, eu nada entendo de remos
Sou aprendiz da imensidão
Chego ao mar com meus medos
Com minhas ondas na mão
Eu e você dois extremos
Duas margens do mesmo cais
Sem rancor, sem mágoas, sem remos
Sem voltar aos velhos vendavais
O amor é o velho timoneiro
Dos mares profundos do coração
Guia meu barco aventureiro
Entre a saudade e a paixão
Canoas vão, seguem navegando
Levadas pelos rumos do vento
Algumas vão se encontrando
Outras viram lembrança no tempo
E, quando a noite perguntar
Se tudo chegou ao fim
Talvez o mar venha contar
Que há recomeços dentro de mim
Será o fim de um mundo antigo?
Será um novo amanhecer?
Entre as águas que navego comigo
Ainda existe um lugar para você
Meus navios
Meus rios meu leito
Minha taça sedenta e vazia
Talvez o amor, no silêncio do interior
Esteja nascendo em outro dia
Meus navios
Meus rios
Meu leito
Meu jeito de reconciliar com você