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Meus Návios, Meus Rios

Newton Jayme

Meus navios
Meus rios meu leito
Minha taça sedenta e vazia
Carrego dentro de mim um deserto
Onde a noite adormeceu meu dia

A dor atravessa um estreito
Feito nau perdida no mar
E, no silêncio do meu interior
Aprendi sozinho a esperar

O beijo ainda sangra meus lábios
Entre desejos e desvarios
Não sei se eram sonhos ou naufrágios
Não sei se eram mares ou rios

Deixei pelo caminho tantos ensaios
As promessas que o tempo levou
Amar, onde ficaram teus bravos
Ventos que a vida guardou?
Ah, eu nada entendo de remos
Sou aprendiz da imensidão

Chego ao mar com meus medos
Com minhas ondas na mão
Eu e você dois extremos
Duas margens do mesmo cais
Sem rancor, sem mágoas, sem remos
Sem voltar aos velhos vendavais

O amor é o velho timoneiro
Dos mares profundos do coração
Guia meu barco aventureiro
Entre a saudade e a paixão

Canoas vão, seguem navegando
Levadas pelos rumos do vento
Algumas vão se encontrando
Outras viram lembrança no tempo

E, quando a noite perguntar
Se tudo chegou ao fim
Talvez o mar venha contar
Que há recomeços dentro de mim

Será o fim de um mundo antigo?
Será um novo amanhecer?
Entre as águas que navego comigo
Ainda existe um lugar para você

Meus navios
Meus rios meu leito
Minha taça sedenta e vazia
Talvez o amor, no silêncio do interior
Esteja nascendo em outro dia

Meus navios
Meus rios
Meu leito
Meu jeito de reconciliar com você

Composição: Newton Jayme