Amor é rio natural que corre leve
Sem pressa, sem fome, sem sede de mais
Porém quando transborda sem leito a guiar
Afoga jardins, templos, quintais e o lar
Amor sem medida não sabe voltar
É fogueira que aquece no peito sereno
Mas vira incêndio se aceso após o mais
Queima os corações, os sonhos pequenos
E deixa só cinzas nos temporais
Amor sem medida transforma em pesar
É ponte que une dois mundos distintos
Mas vira prisão se o nó for apertado
Se o eu te amo vem cheio de instintos
Com medo, desejo e controle velado
Amor sem medida só sabe apertar
Quem ama demais, esquece de si
Se dá por inteiro, se perde no outro
Mas o amor que é de verdade, sorri
Quando é livre, e não for imposto
Amor com medida permite amar
Então, ama
Porém ama
Como ave no espaço
Com chão, com céu
Com tempo e compasso
Mesmo a flor, se regada demais
Enfraquece as raízes, e não gera paz
Amor sem medida não deixa frutificar
Porque metade
De você é amor
E a outra metade
Que também é amor
Sou eu, sou eu, sou eu
Para sempre vou te amar
Na medida certa vamos delirar