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Nova Criatura em Cristo

Newton Jayme

No têar da história, um rasgo surgiu
Remendo em pano velho, o tempo ruiu
Não se costura o céu em veste cansada
Nem se encerra o espírito em alma fechada

O vinho é novo, fecunda a verdade
Mas o odre antigo se rompe, sem caridade
O amor velho, preso à lei, ao egoísmo
Recusa a cruz, tropeça no abismo

Ergue-se o clamor da água e do vento
Sopro divino, sagrado renascimento
Pois ninguém vê o reino, nem pisa o chão
Sem lavar os pés, sem abrir o coração

O homem velho resiste, no próprio trono
Teme perder poder, prestígio, a pose de dono
Mas o evangelho não cabe em moldura gasta
É pão que se parte e reparte
É graça que basta

Vê, o homem novo caminha, despido
Vestido apenas do ágape, fiel e ungido
Ele serve, partilha, comunga o pão
Reconhece Cristo na dor do irmão

No pobre, no justo, no oprimido
Vê-se o verbo, o senhor escondido
E ao vinho do reino se entrega inteiro
Casamento eterno com o santo cordeiro

Quando enfim soar a trombeta em glória
E o tempo findar sua velha história
Ouvirá o homem novo, em paz e fervor
Vinde, bendito de meu pai
O céu é casa do amor

Vinde, bendito de meu pai
O céu é casa do amor