No têar da história, um rasgo surgiu
Remendo em pano velho, o tempo ruiu
Não se costura o céu em veste cansada
Nem se encerra o espírito em alma fechada
O vinho é novo, fecunda a verdade
Mas o odre antigo se rompe, sem caridade
O amor velho, preso à lei, ao egoísmo
Recusa a cruz, tropeça no abismo
Ergue-se o clamor da água e do vento
Sopro divino, sagrado renascimento
Pois ninguém vê o reino, nem pisa o chão
Sem lavar os pés, sem abrir o coração
O homem velho resiste, no próprio trono
Teme perder poder, prestígio, a pose de dono
Mas o evangelho não cabe em moldura gasta
É pão que se parte e reparte
É graça que basta
Vê, o homem novo caminha, despido
Vestido apenas do ágape, fiel e ungido
Ele serve, partilha, comunga o pão
Reconhece Cristo na dor do irmão
No pobre, no justo, no oprimido
Vê-se o verbo, o senhor escondido
E ao vinho do reino se entrega inteiro
Casamento eterno com o santo cordeiro
Quando enfim soar a trombeta em glória
E o tempo findar sua velha história
Ouvirá o homem novo, em paz e fervor
Vinde, bendito de meu pai
O céu é casa do amor
Vinde, bendito de meu pai
O céu é casa do amor