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O Sentindo da Vida

Newton Jayme

Babel!
Babilônia!
Confusão!

Eu vi homens construindo torres
Com a razão apontada para o céu
Mas esqueceram
Que a alma sem abraço
Vira poeira dentro
Da própria amplidão

Sim!
Dentro do imenso véu!

Eu vi olhares cheios de respostas
Mas vazios de contemplação
Sim!
Existe sabedoria
Que acende uma vela
Mas também há conhecimento
Que fabrica escuridão
(Escravidão!)

A inteligência sem amor
É uma lâmina na contramão
Corta flores pelo caminho
E chama ferida de evolução

A justiça sem amor
É uma porta sem perdão
Tem a balança nas mãos
Mas não escuta o coração

Porque tudo que toca a vida
Precisa aprender a florescer
Nem toda luz que sobe ao céu
Ensina alguém a viver

Todo tesouro sem amor é ferrugem
Todo poder sem amor é solidão
A fé sem amor vira muro
A verdade sem amor vira prisão

Só existe Deus onde existe cuidado
Só existe luz onde existe compaixão
Só existe humanidade inteira
Quando o amor une todas as mãos

Eu vi homens vestindo sorrisos
Com palavras bordadas de paz
Mas escondendo dentro dos olhos
Um inverno que nunca se desfaz

A diplomacia sem amor
É perfume sobre a mentira
É um jardim de flores artificiais
Onde nenhuma abelha respira

O êxito sem amor é um espelho
Que só consegue olhar para si
É um rei sentado no próprio trono
Sem ninguém para cuidar e partilhar

A riqueza sem amor é deserto
Uma fonte que esqueceu de correr
A autoridade sem amor é tempestade
Um trovão que não sabe acolher

Quem governa
Sem promover a justiça social
Carrega o peso de não compreender
Nenhuma coroa permanece
Quando o coração deixa de ver

A pobreza sem amor também fere
Pode esconder orgulho e vaidade
Nem toda lágrima revela humildade
Nem toda dor revela verdade

O trabalho sem amor é corrente
É relógio roubando o amanhecer
É o homem vendendo seus sonhos
Sem perceber que deixou de viver

E quando a fé perde o amor
Ela perde o próprio caminho
Vira pedra atirada ao irmão
Em vez de ser pão repartido

De que vale alcançar o infinito
Se a alma não aprendeu a amar?
De que vale ganhar o mundo inteiro
Se o coração não tem onde morar?

A vida sem amor
É uma casa sem janela
É um rio sem nascente
É uma noite sem estrela

A vida sem amor
É um livro sem poesia
É uma estrada sem destino
É silêncio no fim do dia

Porque no último
Instante da jornada
Quando tudo deixar de existir

Não será o quanto acumulamos

Será quanto amor deixamos florir

A vida sem amor
Não tem sentido

Mas amar sem apertar o laço
Sem transformar abraço em corrente

Porque o amor que tem medo do voo
Esquece que nasceu para ser semente

(Ôôô)

Composição: Newton Jayme