Os ipês florescem
Encantam de luz
O nascer e o reclinar das auroras
Se tudo é sequidão na serra
Suas flores
Um bálsamo
No ocorrer das horas
No chão, semeado de amarelo
Flóreo nevando
A inspirar o poeta sonhador
Ah! Natureza que se veste de esplendor
Onde andará o meu amor?
Debaixo de teus galhos
O Sol perde o brilho
A majestade
A solidão deixa de incomodar
A morte ganha serenidade
Em suas ramagens
Ouço gemidos de pássaros
Uma intensa sinfonia
É setembro
Prenúncio da primavera
Namorados em sublime euforia!
Oh! Alegria!
Daqui a pouco tudo se esconde
O colorido, a festa, o som
O que era bem vivo irá adormecer
Em seus galhos desnudos
Somente a escuridão da noite
Imponente cenário
Saudade
A passarada nos ninhos
Em recolhida gestação!
O tempo, em profunda contemplação
Vai preparando crias, sementes
Bem logo, um novo frisson
O amor é assim
Da flor ao fruto
Da festa ao labor
Do barulho ao adormecer
Nunca teme nenhum açoite
Comunga austeridade
Passa por sepulcros
Mas ressurge vivo
Pleno de eterna existência!
No pulsar da criação
A vida prepara tudo de novo
Novo broto
Nova flor
Novo fruto
Doce sabor
A chuva
Vem chegando devagar
Para regar a terra
Renovar a vida
E florescer no coração
Um novo amor