Tua imagem entrou na casa
Feito nardo rompendo o vidro
Não pediu licença ao mundo
Foi tomando os cantos
Os pergaminhos e papiros
Desatando as profecias
Na madeira da mesa antiga
Na toalha, no pão, no vinho, na luz
Existia um rumor de despedida
Caminhando nos pés de Jesus
Maria desatou os cabelos
Como quem liberta o último mar
E derramou sobre o silêncio
O que não cabia guardar
Perfume não sabe voltar
Quando encontra a pele do amor
Vira brisa no corpo da tarde
Vira ausência, presença e clamor
E eu, que vivo medindo o universo
Vi teu gesto desmanchar a razão
Há verdades que custam a vida
Mas perfumam de vez a escuridão
Judas Iscariotes
Contava moedas no escuro
Pesava o céu nas linhas da mão
Mas o amor não conhece balança
Nem aprende a falar em cifrão
Há um instante antes da perda
Em que tudo começa a doer
Tu já enxergavas a noite chegando
Mas escolheste permanecer
Teu perfume ficou pela casa
Pelos passos, na sala vazia
Como um Sol derramado na sombra
Como um adeus acendendo o dia
Perfume não sabe voltar
Quando encontra a pele do amor
Vira brisa no corpo da tarde
Vira ausência, presença e clamor
E eu, que vivo medindo o universo
Vi teu gesto desmanchar a razão
Há verdades que custam a vida
Mas perfumam de vez a escuridão
Tua imagem entrou na casa, no meu ser
Feito nardo rompendo o vidro e a alma
Não pediu licença ao mundo
Incendiou o ar
Foi tomando os cantos
Os pergaminhos e papiros
Desatando as profecias
Até tornar-se o centro do meu viver
Somos, no mundo
O perfume de Cristo
Testemunho do céu
Na poeira do chão
Para uns
Aroma
De vida infinita
Salvação
Para outros
Espelho
Da própria rejeição
Condenação
Há verdades que custam a vida
Mas perfumam de vez a escuridão
Jesus Cristo é o caminho, é a salvação!