Antes que o tempo escrevesse
Seus passos na areia
Antes que a noite aprendesse
O nome das estrelas
Havia um amor aceso
No silêncio de Deus
Uma chama sem fumaça
Um rio escondido correndo
Dentro da eternidade
Paulo, homem de estradas e tempestades
Carregou no ministério marcas de Cristo
Levou na carne as cicatrizes da missão
A poeira dos caminhos
O peso das noites sem abrigo
As lágrimas escondidas
De quem ama a felicidade sem fim
Mas havia uma certeza
Maior que todas as feridas
Ninguém poderia arrancá-lo
Das mãos invisíveis daquele
Que o amou primeiro
Quem nos separará do amor de Cristo?
Se a noite vier morar no coração
Se o vento apagar
As lâmpadas do caminho
Se a lágrima escrever outra canção
Se a fome bater nos portões da esperança
Se o medo desenhar sombras no olhar
Há uma voz atravessando os abismos
Eu ainda estou aqui para te abraçar
Nem a espada que corta os sonhos
Nem o silêncio depois da oração
Nem o inverno que congela os dias
Nem a dor escondida na solidão
Porque o amor que nasceu no Calvário
Não depende da luz do amanhecer
Ele atravessa a noite mais profunda
Sem jamais deixar de florescer
Quem nos separará
Do amor de Cristo?
Se o mundo inteiro fechar suas portas
Ainda haverá uma janela de luz
Nem a morte, nem a vida
Nem o tempo, nem o amanhã
Nem as alturas, nem os abismos
Apagarão essa chama
Somos amados nas mãos do grande Eu Sou
Somos sementes no chão da dor
Mas há uma raiz atravessando a terra
O eterno coração do amor
Paulo viu o céu por entre grades
Ouviu Deus no silêncio da prisão
Aprendeu que a liberdade mais profunda
Não mora apenas na ausência de opressão
Há correntes que não prendem a alma
Há feridas que ensinam a viver
Há desertos onde nasce uma fonte
Que ninguém consegue esconder
Se vier a tempestade
Se o mar perder a calma
Se o barco parecer perdido
Nas ondas da madrugada
Ainda existe uma mão sobre as águas
A mesma que chamou pelo nome Pedro
A mesma que encontrou Paulo na estrada
A mesma que ressuscita o que morreu
Quem nos separará
Do amor de Cristo?
Nem o abismo mais escuro
Nem a sombra que insiste em voltar
Porque o amor que nos encontrou
Antes mesmo de sabermos amar
É uma estrela plantada no coração
Ninguém consegue apagar
E quando o último relógio
Deixar cair seus ponteiros no chão
Quando a terra guardar nossos passos
E o silêncio abraçar nossa mão
Haverá uma voz atravessando o infinito
Como música antes do primeiro dia
Eu nunca deixei você sozinho
Meu amor era o caminho
Onde sua alma, por mim, era guiada
Eu te amo, és meu
Para sempre, serás meu