Hoje o mar acordou de mau humor
Servindo frio na xícara do tempo
O Sol faltou ao turno do calor
E eu perdi meu amor
O Corcovado, tímido
Se escondeu na névoa da hora
E uma brisa ensaia teu nome
Nas varandas de Copacabana
Sopro breve de sal e costume
Dessas saudades que a maré engana
A cidade, viúva do Carnaval
Espreguiça confete na Avenida Central
E recolhe no bolso banal
Os sonhos gastos da vida
Nos bares lavados da manhã
Cadeiras murmuram ressaca
Meu silêncio senta na mesa
Com tua falta, que não se disfarça
Caminho rente à beira da areia
Como quem procura um sinal
Mas o vento do sul soletra teu nome
Num alfabeto de sal
E o meu ser, barco cansado
Range no cais da lembrança
Maré que não chega a porto
Nem desaprende a esperança
Volta
Que o mar já gastou suas lágrimas
Na pedra antiga do cais
Volta
Que a cidade inteira parece
Prender o fôlego sem paz
Volta
Que o Sol anda ensaiando nascer
No riso moreno que és
Porque amar, veja bem
É teimosia de rio
Mesmo quando a noite
Fecha a passagem
Ele inventa outro desvio
Hoje o mar acordou onda fria
Mas guardo um resto de verso
Se teu passo cruzar esta rua vazia
Talvez o verão atravesse o inverno
E eu, que jurava
Que o tempo ensinava o esquecimento
Aprendo nas calçadas do Rio
Que esquecer também é tormento
Nos jornais da manhã
Não sai notícia da minha solidão
Mas teu corpo ainda embarca e desembarca
Na estação do meu coração
Se a vida é viagem
Sem mapa nem porto
Por que teu adeus
Me deixou quase morto?
Se um dia voltares
Na brisa do mar
Talvez meu destino
Reaprenda a amar
Volta
Que o mar já cansou de chorar
E a cidade parece esperar
Volta
Que o Sol quer nascer outra vez
No teu riso moreno que és
Se a vida é viagem
Sem mapa nem porto
Por que teu adeus
Me deixou quase morto?
Se um dia voltares
Na brisa do mar
Talvez meu destino
Reaprenda a amar