De que valem as estrelas sem a noite
Se o céu já não procura o seu clarão?
Que resta ao brilho
Quando o dia se anuncia
E o amor se esconde
Dentro de um solitário coração?
Não! As estrelas
São vestígios de um amante
A piscar nas profundezas do sofrer
Olhos de luz na imensidão distante
Fazem do escuro outro modo de viver
É na noite que a chama se revela
É na dor que o ipê sabe florescer
No compasso leve
De uma esperança bela
Nasce um samba
Que insiste em renascer
Estrela e samba seguem lado a lado
Aquecendo o desejo do sonhador
E quando a alma dança em liberdade
Tudo se acende em brilho e calor
Na tela pura, sem sombra ou ferida
A luz não encontra onde pousar
Falta-lhe o contraste que dá vida
O espaço secreto
Onde o amor pode falar
Porque é na noite
Profunda e silenciosa
Onde a paixão aprende a respirar
Que o verso explode em força luminosa
E o coração se põe a cantar
No abismo
A alma não se perde: Se revela
O pranto vira fonte de esplendor
E no encontro do corpo com a estrela
O mundo inteiro aprende o que é amor
É só na noite que a chama se levanta
É só na dor que o ipê sabe florescer
No compasso vivo
De uma esperança santa
Nasce um samba
Que não cessa de viver
Estrela e samba, enfim, entrelaçados
Guardam o sonho de quem sabe amar
E quando a noite abraça o mundo inteiro
Cada estrela aprende a se entregar
É no encontro do corpo com a estrela
Que o mundo inteiro aprende o que é amor