Sinto falta de você
Não da ausência habitual
Dessas que o tempo dissolve
Entre taças, bares e domingos
Deixando tudo igual
Sinto falta
Do jeito exato
Como teu silêncio
Encostava no meu corpo
Sem pedir licença
Saiba
A casa continua inteira
Mas os objetos perderam
A utilidade da alegria
Cada ambiente é pura nostalgia
O corredor guarda segredos
O lençol desaprendeu
A linguagem das manhãs
E o café esfria sozinho
Na metade da conversa
De alguém com ninguém
Sinto falta dos teus braços
Não como mero abrigo
Pois abrigo qualquer
O inverno oferece
Sinto falta de você
Como de algo essencial
Como quem sustenta o mundo
Sem apertá-lo demais
Havia uma calma rara
Na curva do teu abraço
Fé e vertigem dividindo
A mesma beleza
O mesmo encanto
A mesma mulher
Agora a noite cresce
Pelos cantos da sala
E eu caminho dentro dela
Como quem procura
A brisa do mar
Numa cidade sem vento
Sem rumo
Sem horizonte
Sem nenhum sentimento
Ah, se você voltasse hoje
Não haveria discurso
Só esse silêncio imenso
Ajoelhado entre nós
Feito música
À espera da coragem
À espera
Do primeiro passo
Em direção ao beijo
Quando o coração
Já não consegue
Esconder o desejo
Ah, se você voltasse hoje
Não haveria discurso
Só festa, muita festa
E o amor retornando
Ao lugar que jamais perdeu
Sinto falta de você
Muita falta
Falta do teu riso
Do teu abraço
Da tua presença
Falta das estrelas
Da noite de luar
Falta do Sol
Da luz
Nos meus dias
Da paz dos teus olhos
Do calor das tuas mãos
Muita falta
Do nosso amor
Sinto falta de você