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Viva Vanusa

Newton Jayme

Vanusa
Teu corpo é cenário de rara beleza
Mudando de esplendor a cada estação
E a luz, qual revoada de estrelas
Vai bordando teus traços
Na estrada infinita da amplidão

No teu silêncio navega o vento
Carregando memórias do mar
E o tempo
Aprendiz dos teus passos
Vai tentando imitar
Teu nome
Tua voz
Teus gestos
Tua forma de amar

Vanusa
Mulher que desenha horizontes
Com o lápis secreto da dor
Que transforma a fadiga dos dias
Em colheita
Esperança
E amor!

Vanusa
Cada olhar teu é verso sem dono
Que jamais se repete ou se vai
E do simples faz constelações
Como a Lua cheia que nasce
Nos cais do coração

Teu riso desata correntes
Teu andar desconcerta o destino
Cada luta é uma ponte suspensa
Cada sonho é uma primavera
Um setembro selvagem

Vanusa
Tecido de tempo e encanto
Amor que atravessa a cidade
Como sino chamando a felicidade
O mundo se abre ao teu passo
As janelas aprendem teu tom
E a noite derrama os cabelos
Para ouvir teus segredos
Em bom som

Vanusa
Alma livre
Sem amarras
Plena de ternura
E transformação

Fazes da pedra
De cada instante
Caminho
Abrigo
E revolução
Teu riso atravessa as ruas
Teu olhar inaugura o verão
E, por onde passas
O tédio perde o rumo
Da solidão

Viras pássaro indomável
Tempestade e gratidão
Borboleta e travessia
Feito uma canção feminina
De fascínio e rebeldia

Vanusa, és feminista?
E, se o vento um dia partir contigo
Teu perfume há de permanecer
Como pétalas guardadas
Entre páginas antigas
Como a primeira estrela
Que jamais deixa de brilhar
Sobre o entardecer

Viva Vanusa!
Cantora
Mãe
Avó
Amiga
Diva
Atriz
Combativa!

Vanusa!
Sonul!
Amante e amada
Sonul!

De pé ou morta
De joelhos, jamais!
Jamais!

Vanusa!

Ninguém é mulher impunemente
Ninguém é loira sem pagar
O preço do palco
Da vida
Da liberdade
E do brilho

Ninguém é beleza sem cicatriz
Ninguém

Porque existem mulheres
Que passam pela história
E existem Vanusas
Que se tornam
Eternidade
Glória
Saudade
Vitória
E memória

Vanusa
Sempre Vanusa!

A vida não pode ser só isso!

Ninguém
É poesia sem dor

Ninguém!
Vanusa, por amor
Inventei o meu próprio céu

Viva Vanusa!
Eternamente!

Estrela acesa
No coração que é meu
Que também é seu
Meu e seu!

Vanusa!
Ninguém te conhece
Sem se apaixonar
Sem te amar!

Viva Vanusa!
Vanusa vive!

Composição: Newton Jayme