Vanusa
Teu corpo é cenário de rara beleza
Mudando de esplendor a cada estação
E a luz, qual revoada de estrelas
Vai bordando teus traços
No caminho imortal da amplidão
No teu silêncio navega o vento
Carregando memórias do mar
E o tempo, aprendiz
Dos teus passos
Vai tentando imitar
Teu nome, tua voz
E teus movimentos ao cantar
Vanusa
Mulher que desenha horizontes
Com o lápis secreto da dor
Que transforma a fadiga dos dias
Em colheita, esperança e amor
Vanusa
Cada olhar teu é verso sem dono
Que jamais se repete ou se vai
E do simples faz notável constelação
Como a Lua cheia que nasce
Nos cais do coração
Teu riso desata correntes e mentes
Teu andar desconcerta o destino
Cada gesto é uma ponte suspensa
Cada sonho, uma flor diferente
Vanusa
Tecido de tempo e canto
Hino ao amor que atravessa a cidade
Como sino chamando a felicidade
O mundo se abre ao teu passo
As janelas aprendem teu tom
E a noite derrama os cabelos
Para ouvir teus segredos
Em bom som
Vanusa
Referência livre, sem amarras
Plena de ternura e transformação
Fazes da pedra de cada instante
Ponte, caminho, abrigo e revolução
Teu riso atravessa as ruas
Teu olhar inaugura o verão
E por onde passas, o tédio
Perde o rumo da solidão
Viras pássaro indomável
Tempestade
Borboleta e travessia
Feito uma canção feminina
Repleta de rebeldia
Vanusa
E, se o vento um dia partir contigo
Teu perfume há de permanecer
Como pétalas
Guardadas entre páginas
Como a primeira estrela
Que não deixa de brilhar
Nem de ressurgir no entardecer
Viva vanusa
De pé ou morta
De joelhos jamais
Jamais
Vanusa
Ninguém é loira
Impunemente
Ninguém
Porque existem mulheres
Que passam pela história
E há mulheres que se tornam
Eternidade, glória
Saudade e memória
Vanusa sempre vanusa
Eternamente