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Viva Vanusa

Newton Jayme

Vanusa
Teu corpo é cenário de rara beleza
Mudando de esplendor a cada estação
E a luz, qual revoada de estrelas
Vai bordando teus traços
No caminho imortal da amplidão

No teu silêncio navega o vento
Carregando memórias do mar
E o tempo, aprendiz
Dos teus passos
Vai tentando imitar
Teu nome, tua voz
E teus movimentos ao cantar

Vanusa
Mulher que desenha horizontes
Com o lápis secreto da dor
Que transforma a fadiga dos dias
Em colheita, esperança e amor

Vanusa
Cada olhar teu é verso sem dono
Que jamais se repete ou se vai
E do simples faz notável constelação
Como a Lua cheia que nasce
Nos cais do coração

Teu riso desata correntes e mentes
Teu andar desconcerta o destino
Cada gesto é uma ponte suspensa
Cada sonho, uma flor diferente

Vanusa
Tecido de tempo e canto
Hino ao amor que atravessa a cidade
Como sino chamando a felicidade

O mundo se abre ao teu passo
As janelas aprendem teu tom
E a noite derrama os cabelos
Para ouvir teus segredos
Em bom som

Vanusa
Referência livre, sem amarras
Plena de ternura e transformação
Fazes da pedra de cada instante
Ponte, caminho, abrigo e revolução

Teu riso atravessa as ruas
Teu olhar inaugura o verão
E por onde passas, o tédio
Perde o rumo da solidão

Viras pássaro indomável
Tempestade
Borboleta e travessia
Feito uma canção feminina
Repleta de rebeldia

Vanusa
E, se o vento um dia partir contigo
Teu perfume há de permanecer
Como pétalas
Guardadas entre páginas
Como a primeira estrela
Que não deixa de brilhar
Nem de ressurgir no entardecer

Viva vanusa

De pé ou morta
De joelhos jamais
Jamais

Vanusa

Ninguém é loira
Impunemente
Ninguém

Porque existem mulheres
Que passam pela história
E há mulheres que se tornam
Eternidade, glória
Saudade e memória

Vanusa sempre vanusa
Eternamente

Composição: Newton Jayme