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A todos eles cobram trinta

Norberto Accoroni

A todos les cobra treinta

Muchachos van a escuchar
la milonga del tornero...
Es muy fácil recordar,
cuando hay que tornear un fierro
o algún eje pa' roscar
rajando a lo de "Chiourelo"
aquí cerquita, nomás,
y lo vemos al patrón:
Honduras esquina Gascón...
¡Manipulando el acero!

Sabés lo que pasó, hermano,
que no tengo mucha guita,
y ese "jotraba" de mano
ya no va por chirolita...
No es trabajo "moco 'e pavo"
y si lo deja de clavo
la bronca que va a tirar,
casi nadie va a buscar
los trabajos terminados
y en el taller, están tirados...

No te asustes, che querido,
y el fierro vamo'a llevar;
yo sé bien lo que te digo,
él, después de terminar,
no te hace ninguna cuenta,
ni tampoco la boleta:
es su forma de entregar
cuando vas a retirar;
su trabajo fue especial,
"y a todos les cobra 30."

A todos eles cobram trinta

Rapaziada, vão escutar
A milonga do torneiro...
É bem fácil lembrar,
Quando tem que tornear um ferro
Ou algum eixo pra roscar
Lá no "Chiourelo"
Aqui pertinho, só,
E a gente vê o patrão:
Honduras com Gascón...
¡Manipulando o aço!

Sabe o que aconteceu, irmão,
É que tô sem grana,
E aquele "jotraba" de mão
Já não vai por chirolita...
Não é trabalho "moleza"
E se deixar na mão
A raiva que ele vai soltar,
Quase ninguém vai buscar
Os trabalhos finalizados
E na oficina, tão jogados...

Não se assusta, querido,
E o ferro vamos levar;
Eu sei bem o que te digo,
Ele, depois de terminar,
Não te faz nenhuma conta,
Nem também a nota:
É a forma dele de entregar
Quando você vai retirar;
O trabalho dele foi especial,
"E a todos eles cobra trinta."

Composição: Norberto Accoroni