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Genealogia do Baião

Nubinelma Fernandes

Vem do lundu, do batuque africano
Cruzou com a viola do povo cigano
Era baiano lá no litoral
Subiu a ladeira, virou atemporal
Gonzaga pegou o que era de terreiro
E deu a coroa pro povo brasileiro

O baião é o tronco, é a certidão
É a voz do sertão em plena floração
Não é só batida, é história contada
Na ponta da bota e na mão calejada

O pife soprava o que a alma sentia
A rabeca chorava em plena alegria
Mas foi o fole de oito baixos na mão
Que deu o compasso de toda a nação
Mistura de raça, de sangue e de fé
O baião é a força que nos mantém de pé

O baião é o tronco, é a certidão
É a voz do sertão em plena floração
Não é só batida, é história contada
Na ponta da bota e na mão calejada

Hoje o baião corre o mundo inteiro
Levando o orgulho do chão brasileiro
Do barro do mestre ao som do metal
A nota da gente é universal
É o grito da terra que não se calou
É a herança viva que o mestre deixou

O baião é o tronco, é a certidão
É a voz do sertão em plena floração
Não é só batida, é história contada
Na ponta da bota e na mão calejada

Composição: Nubinelma Fernandes