Não creio na ventura de libertar-me um dia
Da dor que me tortura, da minha nostalgia
Não creio na existência da possibilidade
De conseguir fugir à inclemência desta saudade
Vai longe a esperança, fiquei com a tristeza
Só ela tem os olhos voltados para mim
Só ela me acompanha, assídua e vigilante
Não me deixando ter um só momento de prazer
Dirão talvez que a minha dor consiste numa fantasia
Que eu transformo em noite sem luar
O mais soberbo dia
Não os condeno porque finalmente
Eu sei compreender
Que nem todos vêm ao mundo
Pra viver o meu viver
Existe alguém que sabe muito bem
Porque minh'alma sofre
Pois lhe convém fazer do coração
Invulnerável cofre
Pois sua vida é um Sol a fulgurar
E a minha é uma noite sem luar