O fogo de chão se aquieta
Na brasa que o tempo traz
Não ouve o grito da lida
Nem o bicho que desfaz
É o homem sendo silêncio
Pra ouvir o que a terra faz
É o homem sendo silêncio
Pra ouvir o que a terra faz
Não tem de bagual pulando
Nem trova de aporfia
É o campo que fala baixo
No final de mais um dia
Onde o silêncio é o verso
Que a própria alma assovia
O freio não range no queixo
Nem o laço corta o ar
É o tempo que dita o passo
Pra quem sabe contemplar
Pois a lida que é mais forte
É quem ensina a escutar
Pois a lida que é mais forte
É quem ensina a escutar
Não tem de bagual pulando
Nem trova de aporfia
É o campo que fala baixo
No final de mais um dia
Onde o silêncio é o verso
Que a própria alma assovia
As sombras lavam o pátio
No vago de uma coxilha
Onde a paz é o sinuelo
Que guia toda a tropilha
E a alma em prece mansa
É a luz que ainda brilha
E a alma em prece mansa
É a luz que ainda brilha
Não tem de bagual pulando
Nem trova de aporfia
É o campo que fala baixo
No final de mais um dia
Onde o silêncio é o verso
Que a própria alma assovia
No rastro de alguma estrela
Que vem pontear o galpão
Não há deserto na alma
Nem sombra na solidão
Pois quem entende de campo
Traz cantos pro coração
Pois quem vende de campo
Traz cantos pro coração
Não tem de bagual pulando
Nem trova de aporfia
É o campo que fala baixo
No final de mais um dia
Onde o silêncio é o verso
Que a própria alma assovia