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Fortaleza Hostil

Outros Bárbaros

Dessa gente que hoje anda
Nas esquinas e quintais
Vejo um novo velho mundo
Carreatas, catedrais

Que falta faz a lucidez
Onde tudo é por um fio
Vivemos tanto de uma vez Nessa fortaleza hostil

Estica a corda quero ver
Se vai arrebentar
Esquece o rádio e a TV
E deixa

Então deixa eu te dizer
Que o teu erro é meu também
Toda tirania é surda
Só escuta o que convém

Não é fácil admitir
Que o soneto foi em vão
Anoitecerá orgulho
Amanhecerá prisão

Nesse monumento trágico
Onde o amor é liquidez
Com obediência fálica
Nos empurram suas leis

Que falta faz a sensatez
Onde tudo é tão vazio
Morremos tanto de uma vez
Nesse peito varonil

Estica a corda quero ver
Se vai arrebentar
Esquece o rádio e a TV
E deixa

Então deixa eu te dizer
Que o teu erro é meu também
Toda tirania é surda
Só escuta o que convém

Não é fácil admitir
Que o soneto foi em vão
Anoitecerá orgulho
Amanhecerá prisão

Juro que eu não sei
Se a verdade servirá
O segredo do viver
Qual mistério vencerá

Estica a corda quero ver
Se vai arrebentar
Esquece o rádio e a TV
E deixa

Então deixa eu te dizer
Que o teu erro é meu também
Toda tirania é surda
Só escuta o que convém

Não é fácil admitir
Que o soneto foi em vão
Anoitecerá orgulho
Amanhecerá
Amanhecerá

Composição: Maurício Peixoto