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Eu Tenho

Pablo Milanés

Tengo

Cuando me veo y toco
yo, Juan sin Nada no más ayer,
y hoy Juan con Todo,
y hoy con todo,
vuelvo los ojos, miro,
me veo y toco
y me pregunto cómo ha podido ser.

Tengo, vamos a ver,
tengo el gusto de andar por mí país,
dueño de cuanto hay en él,
mirando bien cerca lo que antes
no tuve ni podía tener.
Zafra puedo decir,
monte puedo decir,
ciudad puedo decir,
ejército decir,
ya míos para siempre y tuyos, nuestros,
y un ancho resplandor
de rayo, estrella, flor.

Tengo, vamos a ver,
tengo el gusto de ir
yo, campesino, obrero, gente simple,
tengo el gusto de ir
(es un ejemplo)
a un banco y hablar con el administrador,
no en inglés,
no en señor,
sino decirle compañero como se dice en español.

Tengo, vamos a ver,
que siendo un negro
nadie me puede detener,
a la puerta de un dancing o de un bar.
O bien en la carpeta de un hotel
gritarme que no hay pieza,
una mínima pieza y no una pieza colosal,
una pequeña pieza donde yo pueda descansar.

Tengo, vamos a ver,
que no hay guardia rural
que me agarre y me encierre en un cuartel,
ni me arranque y me arroje de mi tierra
al medio del camino real.
Tengo que como tengo la tierra tengo el mar,
no country,
no jailáif,
no tenis y no yatch,
sino de playa en playa y de ola en ola,
gigante azul abierto democrático:
en fin, el mar.

Tengo, vamos a ver,
que ya aprendí a leer,
a contar,
tengo que ya aprendí a escribir
y a pensar
y a reír.
Tengo que ya tengo
donde trabajar
y ganar
lo que me tengo que comer.
Tengo, vamos a ver,
tengo lo que tenía que tener.

Eu Tenho

Quando me vejo e toco
eu, Juan sem Nada só ontem,
e hoje Juan com Tudo,
e hoje com tudo,
viro os olhos, olho,
me vejo e toco
e me pergunto como isso pôde acontecer.

Eu tenho, vamos ver,
eu tenho o prazer de andar pelo meu país,
dono de tudo que há nele,
observando bem de perto o que antes
não tive nem podia ter.
Colheita posso dizer,
mato posso dizer,
cidade posso dizer,
exército dizer,
já meus para sempre e seus, nossos,
e um amplo brilho
de raio, estrela, flor.

Eu tenho, vamos ver,
eu tenho o prazer de ir
eu, camponês, operário, gente simples,
eu tenho o prazer de ir
(é um exemplo)
a um banco e falar com o gerente,
não em inglês,
não em senhor,
só dizer companheiro como se diz em espanhol.

Eu tenho, vamos ver,
que sendo um negro
ninguém pode me parar,
a porta de um baile ou de um bar.
Ou bem na recepção de um hotel
gritar que não há quarto,
um quarto mínimo e não um quarto colossal,
um pequeno quarto onde eu possa descansar.

Eu tenho, vamos ver,
que não há guarda rural
que me agarre e me tranque em um quartel,
nem me arranque e me jogue da minha terra
no meio do caminho real.
Eu tenho que como tenho a terra tenho o mar,
não país,
não prisão,
não tênis e não iate,
só de praia em praia e de onda em onda,
gigante azul aberto democrático:
no fim, o mar.

Eu tenho, vamos ver,
que já aprendi a ler,
a contar,
eu tenho que já aprendi a escrever
e a pensar
e a rir.
Eu tenho que já tenho
donde trabalhar
e ganhar
o que eu preciso para comer.
Eu tenho, vamos ver,
eu tenho o que tinha que ter.

Composição: Guillen (Es) Nicola S, Pablo Milanes