Ojalá
Ojalá que las hojas no te toquen el cuerpo cuando caigan
Para que no las puedas convertir en cristal
Ojalá que la lluvia deje de ser milagro que baja por tú cuerpo
Ojalá que la Luna pueda salir sin ti
Ojalá que la tierra no te bese los pasos
Ojalá se te acabé la mirada constante
La palabra precisa, la sonrisa perfecta
Ojalá pase algo que te borre de pronto
Una luz cegadora, un disparo de nieve
Ojalá por lo menos que me lleve la muerte
Para no verte tanto, para no verte siempre
En todos los segundos, en todas las visiones
Ojalá que no pueda tocarte ni en canciones
Ojalá que la aurora no dé gritos que caigan en mí espalda
Ojalá que tú nombre se le olvide a esa voz
Ojalá las paredes no retengan tú ruido de camino cansado
Ojalá que el deseo se vaya tras de ti
A tú viejo gobierno de difuntos y flores
Tomara
Tomara que as folhas não toquem seu corpo quando caírem
Pra que você não possa transformá-las em cristal
Tomara que a chuva deixe de ser milagre que desce pelo seu corpo
Tomara que a Lua consiga brilhar sem você
Tomara que a terra não beije seus passos
Tomara que acabe seu olhar constante
A palavra exata, o sorriso perfeito
Tomara que aconteça algo que te apague de repente
Uma luz ofuscante, um tiro de neve
Tomara que pelo menos a morte me leve
Pra não te ver tanto, pra não te ver sempre
Em todos os segundos, em todas as visões
Tomara que eu não possa te tocar nem em canções
Tomara que a aurora não grite e caia nas minhas costas
Tomara que seu nome se esqueça dessa voz
Tomara que as paredes não retenham seu barulho de caminho cansado
Tomara que o desejo vá atrás de você
Pro seu velho governo de mortos e flores
Composição: Silvio Rodríguez