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O que dura um fim de semana

Pablo Moro

Lo que dura un fin de semana

Te ví en el corazón de aquel disco que giraba
empañando los cristales con acordes de Tom Waits.
En el humo de la noche tu cuerpo se desnudaba
y rodaban por el suelo las fronteras de tu piel.

Planeaste un viaje "al moro" mirando por la ventana
cómo las gotas de lluvia desgarraban la ciudad,
y volviste sonriendo a meterte en la cama
y la luna de madrugada se durmió en tu paladar.

Entre versos de Allen Ginsberg ensuciando nuestra almohada
renunciamos a ser tristes prometiéndonos mañana.
Y la eternidad duró
lo que dura un fin de semana.

Llenamos nuestras bocas con millones de deseos
y drogamos nuestros cuerpos con poemas de William Blake.
Aquel era el principio del camino del exceso
y aprendimos la respuesta al enigma del querer.

"Lléname de tus historias, que se detengan las horas.
Regálame la llave de tu imaginación.
Ojalá la vida fueran sólo estas pequeñas cosas.
Ojalá el mundo existiera sólo en esta habitación".

"El viaje más infinito que te puedo prometer
llega sólo hasta el domingo más triste de cada mes".
Algo se rompió en silencio.
Empezaba a amanecer.
Te vestías muy tranquila y yo cogí la guitarra.
"Quizá sea ésta la última canción que cantaré".
De tu viaje al fin del mundo yo no quise saber nada.
De mis noches sin futuro te negaste a conocer.

Y en el autobús de vuelta mirabas por la ventana
memorizando el paisaje que no volverías a ver.
En la puerta de tu casa no hizo falta decir nada.
"No me mientas, no me digas nunca te olvidaré".

Y entre calles solitarias recuerdo aquel par de días
maldiciendo cada lunes con toda su realidad.
Qué puta es la vida a veces,
y otras qué de verdad.

O que dura um fim de semana

Te vi no coração daquele disco que girava
embaçando os vidros com acordes de Tom Waits.
No fumaça da noite teu corpo se despia
e rolavam pelo chão as fronteiras da tua pele.

Você planejou uma viagem "pro moro" olhando pela janela
como as gotas de chuva rasgavam a cidade,
e voltou sorrindo pra se enfiar na cama
e a lua de madrugada dormiu no seu paladar.

Entre versos de Allen Ginsberg sujando nosso travesseiro
renunciamos a ser tristes prometendo um amanhã.
E a eternidade durou
o que dura um fim de semana.

Enchemos nossas bocas com milhões de desejos
e drogamos nossos corpos com poemas de William Blake.
Aquele era o começo do caminho do excesso
e aprendemos a resposta pro enigma do querer.

"Me encha de suas histórias, que as horas parem.
Me dá a chave da sua imaginação.
Tomara que a vida fosse só essas pequenas coisas.
Tomara que o mundo existisse só nesse quarto".

"A viagem mais infinita que posso te prometer
chega só até o domingo mais triste de cada mês".
Algo se quebrou em silêncio.
Começava a amanhecer.
Você se vestia bem tranquila e eu peguei o violão.
"Talvez essa seja a última canção que eu vou cantar".
Do seu viagem pro fim do mundo eu não quis saber nada.
Das minhas noites sem futuro você se negou a conhecer.

E no ônibus de volta você olhava pela janela
memorizando a paisagem que não voltaria a ver.
Na porta da sua casa não foi preciso dizer nada.
"Não me mente, não me diga nunca que vai me esquecer".

E entre ruas solitárias lembro daquele par de dias
maldizendo cada segunda com toda sua realidade.
Que vida filha da puta às vezes,
e outras que de verdade.

Composição: Pablo Moro