395px

Quem Cala, Consente

Paco Ibañez

El Que Calla Otorga

De niño no me gustaban los libros ni las sotanas
ni salir en procesión,
era tan desobediente como el viento de poniente,
revoltoso y juguetón,

en vez de mirar pal cielo
me puse a medir el suelo que me tocaba de andar,
y nunca seguí al rebaño,
porque ni el pastor ni el amo eran gente de fiar,

como aquel que calla, otorga,
y aunque la ignorancia es sorda,
pude levantar la voz,
más fuerte que los ladríos de los perros consentíos
y que la voz del pastor,

empecé haciendo carreras
por atajos y veredas muy estrechas para mí,
y decían mis vecinos
que llevaba mal camino apartado del redil,

siempre fui esa oveja negra
que supo esquivar las piedras que le tiraban a dar,
y entre más pasan los años
más me aparto del rebaño porque no sé adonde va.

Quem Cala, Consente

Quando criança, não gostava de livros nem de batinas
nem de sair em procissão,
era tão desobediente quanto o vento do oeste,
revoltoso e brincalhão,

em vez de olhar pro céu
me pus a medir o chão que eu tinha que andar,
e nunca segui o rebanho,
pois nem o pastor nem o dono eram de confiança,

como quem cala, consente,
e embora a ignorância seja surda,
pude levantar a voz,
muito mais alto que os latidos dos cães mimados
e que a voz do pastor,

comecei fazendo corridas
por atalhos e veredas muito estreitas pra mim,
e meus vizinhos diziam
que eu tava no caminho errado, longe do aprisco,

sempre fui essa ovelha negra
que soube desviar das pedras que jogavam pra me atingir,
e quanto mais os anos passam
mais me afasto do rebanho porque não sei pra onde vai.

Composição: