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Verso por Desilusão

Violeta Parra

Verso Por Desengaño

No tengo la culpa, ingrato
De que, entre los dos, el diablo
Por tres o cuatro vocablos
Los cause tan malos ratos
De hacerte sufrir no trato
Aunque así parezca el caso
Yo creo que este mal paso
Los lleva por mal camino
Y a preguntar no me alimo
¿Hasta cuándo, ingratonazo?

Oscuran mi pensamiento
Palabras y más palabras
Espero que pronto se abra
La luz de mi entendimiento
Ya tengo el convencimiento
Que sobran los pareceres
Como dos malas mujeres
Peleamos la, sin razón
Contéstame, corazón
¿Hasta cuándo matar quieres?

Si no me río, te enojas
Y si me río, tam'ién
¿Es que no alcanzái a ver
Que solo me dai congojas?
Crapicho que se te antoja
Yo quiero que lo consigas
Desde el palomo a la hormiga
Desde la mar al desierto
No comprendí ni dispierta
Que ayer me dejaste herí'a

Hoy diran, en último intento
Busqué la paz, pero en vano
Después me pasái la mano
Cuando me hai da'o tormento
Es grande el dolor que siento
Y ya pa' mí no hay placeres
Están hablando dos seres
En lengua de mal judío
Tengo clava'o el sentí'o
Con agujas y alfileres

Ordeno la 'espedí'a
Palomito vola'or
Suspéndeme este dolor
Que es mi pan de ca'a día
Aunque sea culpa mida
No debís de ser así
Que no e’ remedio pa' mí
El aumentarme los males
Con la miel de los panales
Más se pue'e conseguir

Verso por Desilusão

Não tenho culpa, ingrato
De que, entre nós dois, o diabo
Por três ou quatro palavras
Nos cause momentos tão ruins
De te fazer sofrer não é meu trato
Embora pareça o contrário
Acho que esse mau passo
Nos leva por um caminho errado
E perguntar não me anima
Até quando, ingrato?

Escurece meu pensamento
Palavras e mais palavras
Espero que logo se abra
A luz do meu entendimento
Já estou convencido
Que sobram as opiniões
Como duas mulheres bravas
Brigamos sem razão
Responde pra mim, coração
Até quando você quer matar?

Se eu não rio, você se irrita
E se eu rio, também
É que você não consegue ver
Que só me dá angústia?
Capricho que você deseja
Eu quero que você consiga
Do pombo à formiga
Do mar ao deserto
Não entendi nem acorda
Que ontem você me deixou ferido

Hoje dirão, em último intento
Busquei a paz, mas em vão
Depois você me faz carinho
Quando me deu tormento
É grande a dor que sinto
E já pra mim não há prazeres
Estão falando duas pessoas
Em língua de mau judeu
Estou cravado no sentimento
Com agulhas e alfinetes

Ordeno a despedida
Pombinho voador
Suspende essa dor
Que é meu pão todo dia
Embora seja culpa minha
Não deveria ser assim
Que não é remédio pra mim
O aumento dos males
Com o mel dos favos
Mais se pode conseguir

Composição: Violeta Parra