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No Alto da Cordilheira

Patricio Manns

Arriba En La Cordillera

¿Qué sabes de cordillera
Si tú naciste tan lejos?
Hay que conocer la piedra
Que corona al ventisquero
Hay que recorrer callando
Los atajos del silencio
Y cortar por las orillas
De los lagos cumbrereños
¡Mi padre anduvo su vida
Por entre piedras y cerros!

La viuda blanca en su grupa
La maldición del arriero
Llevó a mi viejo esa noche
A robar ganado ajeno
Junto al paso de Atacalco
A la entrada del invierno
Le preguntaron a golpes
Y él respondió con silencios
Los guardias cordilleranos
Clavaron su cruz al viento

Los ángeles de Santa Fe
Fueron nombres del infierno
Hasta mi casa llegaba
La ley buscando al cuatrero
Mi madre escondió la cara
Cuando él no volvió del cerro
Y arriba en la cordillera
La noche entraba en sus huesos
Él, que fue tan hombre y solo
Llevó a la muerte en su arreo

Nosotros cruzamos hoy
Con un rebaño del bueno
Arriba en la cordillera
No nos vio pasar ni el viento
¡Con qué orgullo me querría
Si ahora llegara a saberlo!

Pero el viento no más sabe
Dónde se durmió mi viejo
Con su pena de hombre pobre
Y dos balas en el pecho

No Alto da Cordilheira

O que você sabe de cordilheira
Se você nasceu tão longe?
É preciso conhecer a pedra
Que coroa o ventisquero
É preciso percorrer em silêncio
Os atalhos do silêncio
E cortar pelas margens
Dos lagos cumbrereños
Meu pai passou a vida
Entre pedras e morros!

A viúva branca em sua grupa
A maldição do peão
Levou meu velho naquela noite
Para roubar gado alheio
Junto ao passo de Atacalco
Na entrada do inverno
Perguntaram a socos
E ele respondeu com silêncios
Os guardas cordilheranos
Cravaram sua cruz ao vento

Os anjos de Santa Fé
Foram nomes do inferno
Até minha casa chegava
A lei procurando o ladrão
Minha mãe escondeu o rosto
Quando ele não voltou do morro
E lá em cima na cordilheira
A noite entrava em seus ossos
Ele, que foi tão homem e só
Levou a morte em seu arreo

Nós cruzamos hoje
Com um rebanho de qualidade
Lá em cima na cordilheira
Nem o vento nos viu passar
Com que orgulho ele me amaria
Se agora chegasse a saber!

Mas o vento só sabe
Onde meu velho dormiu
Com sua dor de homem pobre
E duas balas no peito

Composição: Patricio Manns