Eu vim de longe e a cidade me escondeu
Entre a Barra e o Cristo, eu não era bem-visto
Eu era o índio que riscava tuas paredes
Eu e meus bichos extraordinários
Jacarecanga já não era o teu lugar
É que nós ocupamos tua praia
São cenários de uma gente atravessada
Que não cede, e sempre é mais do que insumo
Chega o dia
Desassossego no sonho da burguesia
Eu sou de sal, eu sou da selva, eu sou da Silva
Da sobra do sul
Sou pária, sou pedra, sou pira
Ponto
Eu sou Pirambu
Eu sou de sal, da selva, da Silva
Da sobra do sul
Sou pária, sou pedra, sou pira
Ponto
Eu sou Pirambu
Veio um de longe e pro mundo me mostrou
Só assim fui visto, onde antes proscrito
Eu era o naif que enfeitava tuas paredes
Eu e meus bichos extraordinários
Mas nossos sonhos não se prestam a emoldurar
E quando invadimos tua casa
São cenários de uma gente atravessada
Que tem sede, e tantos silvas que eu assino
Em desvaria
Levam o assombro e usurpam a hipocrisia
Eu sou de sal, eu sou da selva, eu sou da Silva
Da sobra do sul
Sou pária, sou pedra, sou pira
Ponto
Eu sou Pirambu
Eu sou de sal, da selva, da Silva
Da sobra do sul
Sou pária, sou pedra, sou pira
Ponto
Eu sou Pirambu
Esse bicho sou eu
Soprando fogo
Mostrando as garras
Batendo as asas
Fora do quadro
Eu sou o fardo
Que não tem preço
E você crê que eu sou um adereço