Numa tarde fria eu vim falar
Da jornada que Deus me fez andar
Numa cabana em Kentucky nasci
Com sapatos furados, mas nunca esqueci
Que o pai que bebeu e cedo partiu
Foi quem me ensinou: Honra a quem te gerou
Ainda que a vida tenha seu cair
É meu pai, e eu vou sempre amar
Pois não temos cidade permanente aqui
Somos peregrinos, estrangeiros a seguir
Se há montes altos, há vales também
É a lei do contraste que nos faz um bem
Se a noite é escura, o Sol vai raiar
Busco uma cidade que Deus vai me dar
Sete anos tinha, água a carregar
Num redemoinho ouvi Deus falar
Não fumes, não bebas, teu corpo não vás manchar
Um trabalho te espera quando fores lutar
Chamaram-me mariquinhas, ovelha negra eu fui
Na escola, na igreja, em casa me excluí
Mas antes andar a pé com a graça do senhor
Que de Cadillac, longe do povo em dor
Pois não temos cidade permanente aqui
Somos peregrinos, estrangeiros a seguir
Se há montes altos, há vales também
É a lei do contraste que nos faz um bem
Se a noite é escura, o Sol vai raiar
Busco uma cidade que Deus vai me dar
De calça de riscas eu subi ao altar
E vi o espírito num velho a saltar
Não há espaço aqui pra eu pregar
Gritou da plataforma sem parar
Se lixo me chamam, é nata do céu
Eu quero esse fogo, esse santo troféu
Com hope me casei num quarto pequeno
Fogão de sucata, mas amor tão pleno
O sogro me disse com a mão no meu ombro
Contenta-te, filho, com o que Deus te deu
Ouvi a mulher e não ouvi a Deus
Foi meu erro fatal, e a tristeza cresceu
Mas aprendi que o caminho é seguir
A voz que me chamou lá no fundo a carpir
Pois não temos cidade permanente aqui
Somos peregrinos, estrangeiros a seguir
Se a vida é luta, Cristo é meu lar
Numa cidade eterna eu vou descansar
Se a noite é escura, o Sol vai raiar
Com o construtor da cidade eu vou morar