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Mãezinha Querida

Paulo Roberto (Gospel)

Mãezinha querida
Quero deixar aqui, nestas poucas palavras que vou dizendo ao Deus dará da emoção, um grande abraço estremecido em soluços, e um beijo, mãezinha, um beijo muito molhado de lágrimas
Sinto que esta é à hora de ficar alegre e nem sei como nem porque esta palavra lágrima tombou de meus olhos para os meus lábios
Como lhe devo e quanto, minha mãe devo-lhe tudo, a começar pela vida, por muitos e muitos meses vivi no seu seio, aquecido ao calor de seu coração e meu sangue era o seu sangue, alimentei-me do seu pão de cada dia que era o meu pão também, e o ar que você respirava é que conduzia oxigênio e vida ao inconsciente e tranquilo explorador de sua vitalidade que era eu
Quando nasci, ficamos ainda por alguns instantes ligados um ao outro, e foi quando mão estranha nos separará, cortando, partindo o último liame que fazia de nossas vidas uma vida, creio que os recém-nascidos choram porque sentem a magoa desta separação, mas nem por isso nos afastamos um do outro, seu sangue generoso se transmudou na brancura do leite e eu continuei vivendo dele e de você, mãezinha
E vieram depois as noites de vigília e os dias de angustia em que você aplicava sobre minha fronte os lábios temerosos de encontrar a ameaça da morte no sintoma da febre, mais tarde, aprendi com você as primeiras palavras e a rezar a primeira oração balbuciada
Nossa grande separação aconteceu quando você me vestiu a roupinha nova de colegial e cruzou sobre meu peito, com emocionado carinho, a correia da malinha dos livros escolares (lembra-se?) eu ia enfrentar o mundo, com lágrimas nos olhos porque, pela primeira vez, estava sozinho, sem você, longe de você longe da senhora, mãezinha
Mas sua imagem, sua voz, a larga sombra protetora de suas asas de anjo tutelar, seguiram comigo e te hoje me acompanham pela vida em fora, como e quanto lhe devo minha mãe
Homens, que somos nós diante da simplicidade grandiosa e divina das mulheres mães? Creio que nós, homens, só não somos completamente maus porque nascemos todos de um ventre de mulher, e é você, mãezinha, é a senhora, essa mulher que festejamos hoje e que adoramos sempre, é você é a senhora
Não sei que tratamento lhe dar, creio que seria justo, creio que não ofenderia, nem de leve, a doce mãe de Jesus, se eu lhe falasse agora rezando baixinho: Minha mãe, bendita sois vós entre as mulheres

Composição: Paulo Roberto