Fer L'amaur
Chie l'avrev mai det, turner'm a innamurer,
me an al vliva menga, però gnint da fer:
a sra forse perché am pies fer a l'amaur,
che a son che, che iò bisegn d'un professaur.
Am per quesi come quand, a desdot an,
as-cifleva tot i disch napoletan
e a paseva la mateina atac a un spec
e am sintiva tor in gir dai me du vec.
Saul a cunterla l'am per na fola:
am lev i deint treinta volt in un dè,
aspet la sira per gnir a toret,
come a spetesa ed finir al suldée.
E se andam in mes a un pree a fer a l'amaur
e gli urtigh e i marugaun im sembren fiaur,
am seint stupid come ded's o tret's an fa
che a perdiva fin al nomer dla me ca.
E un de, anc se a gavesa sinquant'an,
s'am sintesa innamuré come un salam
a pro saul eser cunteint, sintir'm un sgnaur,
perché gninta le piò bel che fer l'amaur.
Fazer o Amor
Chorando nunca me disseram, vou me apaixonar de novo,
meu coração tá fraco, mas não tem o que fazer:
será que é porque eu gosto de fazer amor,
que eu sou assim, que eu preciso de um professor.
Amo assim como quando, a dezesseis anos,
ouvia todos os discos napolitanos
e passava a manhã colado no espelho
e me sentia girando pelos meus dois velhos.
Saudade de contar o amor por uma loucura:
me levantei trinta vezes em um dia,
espero a noite pra vir te encontrar,
como se esperasse acabar a agonia.
E se formos juntos a um lugar pra fazer amor
e os gritos e os gemidos parecem flor,
e me sinto burro como há dez ou quinze anos
que perdi até o nome da minha casa.
E um dia, mesmo que tenha cinquenta anos,
me sinto apaixonado como um adolescente
pra só ser feliz, sentir um calor,
porque não há nada mais belo que fazer amor.