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Reza, Cristo

Pierangelo Bertoli

Prega Crest

Quand a ieren cech a salutev'n i nostr amig
S'ieren fiô de sgnaur o fiô ed puvret an feva gnint
Se ti incountr ades chit ven a sbater cauntra al nes
Dam a meint a me se at deg cle seimper mei chet tes.

Quest al dgiva seimper al padroun dla nostra ca
Che non c'era posto nella loro società
Per chi andeva in gir col pes de dre per al paeis
Che non c'è decoro per nessuna povertà.

Prega, prega Crest perché an te faga piò pener
Giost sal t'impedes ed continuer a ragiuner.

Quand a rincaseva da la festa in societee
Con la testa pina ed chi descours gia consumee
Con la voia ed pianser l'ignoransa e i bas umaur
Ed chi quater gat ch'is'illudeven deser sgnaur

Che per tot la sira iven fat i intelletuee
Sensa mai acorsres dneser eter che muntee
Sensa mai capir deser ste fat come chi can
Che lour i vren veder a pianger e tendrel man.

A pregheva Crest perché an men fesa piò pener
Giost ch'al m'impedesa ed continuer a ragiuner.

Se per mas andeven a la novena per pregher
Et serchev un post un banch per pseires insnucer
Per tgnir fed a Crest cal dis che tot a sam uguee
Soul i sgnour in cesa i gan i post già riservee.

Se it insegnen a scola che a sam tot umanitee
Che c'è un solo padre e che tot a sam uguee
Lour i volen dir che ein tot uguee chi è uguel a lour
E che i operai i deven soul preger al sgnour.

Prega prega Crest perché an te faga piò pener
Giost sal t'impedesa ed continuer a ragiuner.

Se con tota la posa chi gan seimper seta al nes
Lour is seinten fort piò fort che mè ma in tot i ches
Chissà che paura che disaster che impresioun
Quand a sram a stof e andram a veder chi ha ragioun.

Quand a ieren cech e a saluteven i nostr amig
S'ieren fio de sgnour o fio ed puvret an feva gnint
Ma giorno verrà che i turnaran dedsà dal fos
Quand i sran supli con piò ed du meter ed tera ados.

Prega prega Crest perché an te faga piò pener
Giost sal t'impedes ed continuer a ragiuner

Reza, Cristo

Quando a gente se encontrava e cumprimentava nossos amigos
Eram filhos de senhor ou filhos de pobre, não faziam nada
Se você encontrar alguém, vem e bate aqui na nossa casa
Diga a mim se é verdade que sempre é melhor ficar calado.

Isso sempre dizia o patrão da nossa casa
Que não havia lugar na sociedade deles
Para quem andava por aí com o peso da pobreza
Que não há dignidade para nenhuma miséria.

Reza, reza, Cristo, para que não te faça mais sofrer
Só que te impede de continuar a raciocinar.

Quando voltava da festa em sociedade
Com a cabeça cheia e a conversa já consumida
Com vontade de chorar a ignorância e os baixos humanos
E aqueles quatro gatos que se iludiam em ser senhores

Que a noite toda se faziam de intelectuais
Sem nunca perceber que eram apenas montes
Sem nunca entender que ser assim é como um cão
Que só quer ver chorar e estender a mão.

A rezar a Cristo para que não me faça mais sofrer
Só que me impede de continuar a raciocinar.

Se por acaso íamos à novena para rezar
E procurávamos um lugar, um banco para nos sentar
Para manter a fé em Cristo, que diz que todos somos iguais
Só os senhores na igreja já tinham os lugares reservados.

Se ensinam na escola que somos toda a humanidade
Que há um só pai e que todos somos iguais
Eles querem dizer que são todos iguais a eles
E que os operários devem só rezar ao Senhor.

Reza, reza, Cristo, para que não te faça mais sofrer
Só que te impede de continuar a raciocinar.

Se com toda a pose que têm, sempre se sentem superiores
Eles se sentem fortes, mais fortes que eu, mas em todas as casas
Quem sabe que medo, que desastre, que impressão
Quando a gente se estressa e vamos ver quem tem razão.

Quando a gente se encontrava e cumprimentava nossos amigos
Eram filhos de senhor ou filhos de pobre, não faziam nada
Mas o dia virá que eles voltarão do fundo do poço
Quando forem suplicantes com mais de dois metros de terra em cima.

Reza, reza, Cristo, para que não te faça mais sofrer
Só que te impede de continuar a raciocinar.

Composição: