Oda A La Carretera
Me cuentas sin palabras
que la goma te desgasta
yo por eso te hago oda
como el sol pica en tu lomo
y en ti cagan los palomos
cuando yo con pies de plomo
Tú te llamas carretera
que me lleva a la perrera
y al furgón a la cochera
y al psiquiatra a la carrera
y al bombero hasta a la hoguera
y a la tumba al que acelera
Y morirán en ti los poetas, los músicos, los ladrones
los blancos, los negros, los pobres, los ricos
los buenos, los menos buenos, los malos
los conscientes, los inconscientes, los maderos
y el de siempre o casi siempre el camionero
Y por coronas de flores
o cruces de palo
con que te adorne en asfalto
se hará la ley de la muerte
por que es la ley de la vida, jodida, podrida.
Tú te llamas carretera
y no comprendes la prisa
ni de seriedad ni risa
ni del que tarde le pisa
ni del que reparte pizza
Y morirán en ti...
Na na na naina...
Ode à Estrada
Você me conta sem palavras
que o pneu te desgasta
por isso eu te faço uma ode
como o sol que queima nas suas costas
e em você os pombos cagam
quando eu ando com pés de chumbo
Você se chama estrada
que me leva à perrera
e ao furgão na garagem
e ao psiquiatra na corrida
e ao bombeiro até a fogueira
e à cova de quem acelera
E morrerão em você os poetas, os músicos, os ladrões
os brancos, os negros, os pobres, os ricos
os bons, os menos bons, os maus
os conscientes, os inconscientes, os policiais
e o de sempre ou quase sempre o caminhoneiro
E por coroas de flores
o cruzes de madeira
com que eu te enfeite no asfalto
se fará a lei da morte
porque é a lei da vida, fodida, podre.
Você se chama estrada
e não entende a pressa
nem de seriedade nem risada
nem do que pisa tarde
nem do que entrega pizza
E morrerão em você...
Na na na naina...