Você jurou que era o porto
Mas só me deixou no mar aberto
E agora?
O teu silêncio é o barulho que mais me ensurdece
Eu construí um castelo em cima da tua fala
Achei que tua palavra era rocha, mas era areia
Cê me deu a mão pra eu não cair na vala
Mas soltou no escuro, bem na hora da ceia
Dizia que eu era tua cura, o teu sossego
Mas virou a doença que eu tive que enfrentar
Te dei meu mundo, sem medo e sem apego
E você só pensava em como ia se retirar
Ainda sinto o peso do que a gente não viveu
Vejo teu fantasma em cada canto desse quarto
Você foi embora, mas o trauma não morreu
E agora carregar essa lembrança tá sendo um farto
Jurou por quê? Se já planejava a saída
Me deixou com a conta de um erro que não foi meu
Cada promessa tua agora é uma ferida
Que arde toda vez que eu lembro do que se perdeu
Jurou por quê? Se o teu pra sempre era raso
Me tratou como se eu fosse só uma distração
Mas eu sobrevivi ao estrago e ao descaso
E hoje eu tiro o teu nome da minha oração
Cresci ouvindo que o amor não abandonava
Mas você me ensinou que até a luz tem validade
Eu era o abrigo onde você sempre descansava
Mas você foi a tempestade que destruiu minha cidade
Passei madrugadas olhando pro visor
Esperando o digitando que nunca apareceu
Transformei em rima cada gota da minha dor
Porque o que a gente era
Enfim, apodreceu
Não quero explicação, nem quero o teu sinto muito
Porque desculpa não conserta o que você quebrou
Você me prometeu o céu e um mundo conjunto
Mas só me entregou o vazio que você deixou
Jurou por quê? Se a minha paz não te importava
Mas quem jura agora sou eu, olhando pro espelho
Eu achei que sem você a minha vida parava
Mas descobri que eu sou o meu próprio conselho
Jurou por quê? Já não importa mais o motivo
Porque eu queimei as pontes que me levavam a você
Hoje eu tô de pé, hoje eu me sinto vivo
E você é só um passado que eu não quero mais ver
Você jurou
Mas eu aprendi a me segurar
Sozinha
No escuro
Até o Sol voltar a brilhar por mim