Tão contando as notas com os nosso próprios dedos
Usando nossos ossos pra construir seus impérios
Tem que ter o dobro de cuidado se for negro
E se for favelado, com certeza é o que mais querem
Manipulando, são manipulados
Geração de hipócritas que fingem ser enganados
Levados por um placo de dinheiro e alguns carros
Só pra se passarem como brabos, descolados
Não é possível que só eu vejo que isso é uma tortura
Cada vez mais por nós, eles tem lucrado
Criaram a doença pra vender a própria cura
Diminuindo o povo e aumentando o reinado
E o pior é que vocês acreditam em tudo
É o fim do mundo
E não deveria ser assim
Vocês que criaram essa farsa
Toda essa desgraça
A vida é uma piada que não tem graça no fim
É que cada vez
Que eu penso que vai melhorar
Me vejo cada vez pior
A maldade não vai dominar
E se hoje eu tô de pé é porque não sou só
Eu penso que vai melhorar
Me vejo cada vez pior
A maldade não vai dominar
E se hoje eu tô de pé é porque não sou só
As ruas só cheiram à pólvora
As esquinas chovem ódio
Já escrevi sobre o amor
Hoje foda-se o pódio
Já vivi sem olhar pra trás
Figurinhas repetidas
Sensação de quase morto
Repetidas até demais
Cicatrizes sem retorno
Vou voltar pro underground
Onde as linhas não se vendem
E a verdade sempre sai
Onde o fogo nunca cessa
Olha o menor lá na pracinha
Maquinada é a mente dele
Mal nasceu e ele já vai
Onde o pior é ter que dar satisfação
Porque a farda na madruga é opressão
Palavras clicherizadas, melhor não
Olha os pardal na captura e os pé na porta
No quintal dos meus irmãos
Quem confia na puta fudido
E eu posso ser o próximo a sumir por falar nisso
Pior que ninguém confia em ninguém
Agora eu entendi porque em São Paulo
Deus é uma nota de 100
É que cada vez
Que eu penso que vai melhorar
Me vejo cada vez pior
A maldade não vai dominar
E se hoje eu tô de pé é porque não sou só
Eu penso que vai melhorar
Me vejo cada vez pior
A maldade não vai dominar
E se hoje eu tô de pé é porque não sou só