Ó coração, que divido esse pão pisoteado
Que sente a raiva desse peito abandonado
O meu único amigo é você, só você
Meu coração é o próprio cão que o meu inferno alivia
Sofrer calado é um modo de pagar a dívida
Que me consome e deixa longe de viver, sobreviver
Se de fato Deus existe, ele ri
De um pobre homem triste, cujo a luz lhe tem desdém?
Coração, o que eu faria sem você?
Ouvinte das minhas ânsias, cujo os futuro as tem
Tão incerto
À mercê de uma centelha de esperança
E eu peço tempo
Mas é tarde
Ó coração, acha que eu sonho alto demais?
Alguém sem chão merece a paz?
Ó coração, quando que querer o mínimo virou pecado?
Meu coração, desse eterno castigo, estou farto
Me ame e o mundo será seu
Ó coração, serei tolo, e tu cobiçado
Por Asmodeus e os temores que tem controlado
Minha devoção irracional, sustentada em luxúria
Carência é amarra de uma vida em penúria
Caço meus iguais, mato seus iguais, só pra ter
Um pouco de amor e um osso pra roer
Me dê tudo e tire tudo, me adestre como um cão
Falsa luz que ilumina, me cuspiu escuridão
Ó coração, acho que sonhei alto demais
Alguém sem chão não merece a paz
Ó coração, sofro, pois querer o mínimo é o meu pecado
Meu coração, desse eterno castigo, estou farto