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Tomara

RAPHAEL

Ojalá

Ojalá, que las hojas no te toquen el cuerpo
cuando caigan,
para que no las puedas convertir en cristal.
Ojalá, que la lluvia deje de ser milagro
que baja por tu cuerpo.
Ojalá, que la luna pueda salir sin ti.
Ojalá, que la tierra no te bese los pasos.

Ojalá, se te acabe la mirada constante,
la palabra precisa, la sonrisa perfecta.
Ojalá, pase algo que te borre de pronto,
una luz cegadora, un disparo de nieve.
Ojalá, por lo menos que me lleve la muerte,
para no verte tanto, para no verte siempre,
en todos los segundos, en todas las visiones.
Ojalá, que no pueda tocarte ni en canciones.

Ojalá, que la aurora no de gritos que caigan
en mi espalda.
Ojalá, que tu nombre se le olvide a esa voz.
Ojalá, las paredes no retengan tu ruido
de camino cansado.
Ojalá, que el deseo se vaya tras de ti,
a tu viejo gobierno de difuntos y flores.

Ojalá, se te acabe la mirada constante,
la palabra precisa, la sonrisa perfecta.
Ojalá, pase algo que te borre de pronto,
una luz cegadora, un disparo de nieve.
Ojalá, por lo menos que me lleve la muerte,
para no verte tanto, para no verte siempre,
en todos los segundos y en todas las visiones.
Ojalá, que no pueda tocarte ni en canciones.
Ojalá, pase algo que te borre de pronto,
una luz cegadora, un disparo de nieve.
Ojalá, por lo menos que me lleve la muerte,
para no verte tanto, para no verte siempre,
en todos los segundos, en todas las visiones.
Ojalá, que no pueda tocarte ni en canciones.

Tomara

Tomara que as folhas não toquem seu corpo
quando caírem,
para que você não possa transformá-las em cristal.
Tomara que a chuva deixe de ser milagre
que desce pelo seu corpo.
Tomara que a lua possa sair sem você.
Tomara que a terra não beije seus passos.

Tomara que acabe esse olhar constante,
a palavra exata, o sorriso perfeito.
Tomara que aconteça algo que te apague de repente,
uma luz ofuscante, um tiro de neve.
Tomara que, pelo menos, a morte me leve,
para não te ver tanto, para não te ver sempre,
em todos os segundos, em todas as visões.
Tomara que eu não possa te tocar nem em canções.

Tomara que a aurora não grite e caia
nas minhas costas.
Tomara que sua voz esqueça seu nome.
Tomara que as paredes não retenham seu barulho
de caminho cansado.
Tomara que o desejo vá atrás de você,
para seu antigo governo de mortos e flores.

Tomara que acabe esse olhar constante,
a palavra exata, o sorriso perfeito.
Tomara que aconteça algo que te apague de repente,
uma luz ofuscante, um tiro de neve.
Tomara que, pelo menos, a morte me leve,
para não te ver tanto, para não te ver sempre,
em todos os segundos e em todas as visões.
Tomara que eu não possa te tocar nem em canções.
Tomara que aconteça algo que te apague de repente,
uma luz ofuscante, um tiro de neve.
Tomara que, pelo menos, a morte me leve,
para não te ver tanto, para não te ver sempre,
em todos os segundos, em todas as visões.
Tomara que eu não possa te tocar nem em canções.

Composição: Silvio Rodríguez