Rey Del Mar
A la voz de barco viene!
es de ver como vira y se previene
a todo trapo escapar;
que yo soy el rey del mar,
y mi furia es de temer.
"En las presas
yo divido
lo cogido
por igual;
solo quiero
por riqueza
la belleza
sin rival".
Que es mi barco mi tesoro
Sentenciado estoy a muerte!
Yo me rio:
no me abandona la suerte
y al mismo que me condena,
colgare de alguna entena,
quiza en su propio navio.
Y si caigo,
que es la vida?
Por perdida
yo la di,
cuando el yugo
del esclavo
como un bravo,
sacudi".
Que es mi barco mi tesoro
Son mi musica mejor
aquilones;
el estrepito y temblar,
de los cables sacudidos,
del negro mar los bramidos
y el rugir de mis canones.
"Y del trueno
al son violento
y del viento
al rebramar
yo me duermo
sosegado,
arrullado
por la mar".
Que es mi barco mi tesoro,
que es mi Dios la libertad,
mi ley la fuerza y el viento,
mi unica patria la mar.
Jose de Espronceda
Rei do Mar
À voz do barco vem!
es de ver como vira e se previne
pra escapar a todo vapor;
que eu sou o rei do mar,
e minha fúria é de se temer.
"Nas presas
eu divido
o que peguei
de igual pra igual;
só quero
a beleza
sem rival
de riqueza".
Que é meu barco, meu tesouro.
Sentenciado estou à morte!
Eu me rio:
não me abandona a sorte
e ao mesmo que me condena,
vou pendurar de alguma antena,
talvez no seu próprio navio.
E se eu cair,
que é a vida?
Por perdida
eu a dei,
quando o jugo
do escravo
como um bravo,
sacudi.
Que é meu barco, meu tesouro.
São minha música melhor
os aquilões;
o estardalhaço e o tremor,
dos cabos sacudidos,
do mar negro os bramidos
e o rugir dos meus canhões.
"E do trovão
a sonoridade violenta
e do vento
a gritaria
eu me durmo
tranquilo,
arrebatado
pelo mar".
Que é meu barco, meu tesouro,
que é meu Deus a liberdade,
minha lei a força e o vento,
minha única pátria é o mar.
José de Espronceda