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Canto do Sul

Raúl Lavié

Canto Del Sur

Anduvo de pago en pago, y en ninguno se quedo
forastero en todas partes, destino de trovador.
Un dia le pidio al viento que lo hiciera payador
y el viejo viento surero los secretos le ense#o,
y le lleno la guitarrra de cantos en "Mi" menor.

Bajo el ombu solitario como un gaucho medito;
probo su voz en la Cifra, el Rasguido se encendio';
en la Milonga Surera serios asuntos trato',
y alzando poncho y viguela de su rancho se alejo',
y anduvo de pago en pago, y en ninguno se quedo'.

Le fue creciendo la fama de Dorrego a Realico',
de Bahia a Santa Rosa; del Bragado al Pehuajo',
paso por el Pergamino, alla por el veintidos,
cruzo la tierra entrerriana con rumbo al Huayquillaro',
tal vez pa' pitarse un chala bajo los ceibos en flor,
y anduvo de pago en pago, y en ninguno se quedo'.

Tanto torearlo al destino, el destino lo "pialo'".
Volvia buscando pampa, como vuelve un trovador,
contemplando las gramillas, por esos campos de Dios,
volvia buscando pampa, como vuelve un trovador,
rico de lindas riquezas: guitarra, amigos, cancion.
En la mitad del camino se le canso' el corazon
y entro de golpe al silencio, y el silencio lo tapo'.

Lo mentaron algun tiempo el Peon, el Estibador,
el Hombre de Siete Oficios, los paisanos del Fronton,
y como la vida tiene su ley y su sinrazon,
le fue llegando el olvido, y el olvido lo tapo'.

Don Luis Acosta Garcia se llamaba el payador,
hombre nacido en Dorrego y que mucho trajino',
Hombre de lindas riquezas: guitarra, amigos, cancion
Don Luis Acosta Garcia: lindo nombre pa' un cantor!
que anduvo de pago en pago y en ninguno se quedo'.

Canto do Sul

Andou de canto em canto, e em nenhum ficou
estrangeiro em todo lugar, destino de trovador.
Um dia pediu ao vento que o fizesse payador
E o velho vento sulista os segredos lhe ensinou,
e encheu sua guitarra de cantos em "Mi" menor.

Debaixo do ombu solitário como um gaúcho meditou;
testou sua voz na Cifra, o Rasgueado se acendeu;
na Milonga Sulista assuntos sérios tratou,
e levantando poncho e viola de seu rancho se afastou,
e andou de canto em canto, e em nenhum ficou.

Foi crescendo sua fama de Dorrego a Realico;
de Bahia a Santa Rosa; de Bragado a Pehuajo;
pasou pelo Pergamino, lá pelo vinte e dois,
cruzou a terra entrerriana com rumo ao Huayquillaro;
talvez pra fumar um charuto debaixo dos ceibos em flor,
e andou de canto em canto, e em nenhum ficou.

Tanto desafiou o destino, o destino o "pialou".
Voltava buscando pampa, como volta um trovador,
contemplando as gramíneas, por esses campos de Deus,
voltava buscando pampa, como volta um trovador,
rico de lindas riquezas: guitarra, amigos, canção.
No meio do caminho seu coração cansou
E entrou de repente no silêncio, e o silêncio o cobriu.

O chamaram por um tempo de Peão, o Estivador,
o Homem de Sete Ofícios, os paisanos do Frontão,
e como a vida tem sua lei e sua irracionalidade,
foi chegando o esquecimento, e o esquecimento o cobriu.

Don Luis Acosta Garcia era o nome do payador,
homem nascido em Dorrego e que muito trabalhou,
homem de lindas riquezas: guitarra, amigos, canção.
Don Luis Acosta Garcia: lindo nome pra um cantor!
que andou de canto em canto e em nenhum ficou.

Composição: