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Chão Vermelho

Regiane Cordeiro

Ela vem do chão vermelho
Do cheiro do café recém-torrado
Das montanhas que respiram silêncio
E guardam segredos antigos

É filha do interior de Minas
Onde os sonhos pareciam pequenos
Mas dentro dela
Cresciam como sementes teimosas

Seu pai, caboclo centenário
Rezador, benzedor
Tronco que atravessou o tempo
De suas mãos calejadas sentiu a
Herança de um mundo que o feriu antes de lhe abraçar

Foi ele quem, com suor e reza, dureza
Custou a criar doze filhos
Ensinando que a vida se firma
Na raiz da persistência

E sua mainha
Sua mãe é mulher de grande percorrer em dentro dela
De dias pesados, de lutas silenciosas

Mas hoje, quando olha para o seu sorriso
Encontra a maior força da sua vida
Ela é a prova de que se pode sobreviver
Às tempestades sem perder a ternura

É sua raiz mais doce
Seu exemplo de coragem
Seu espelho de esperança
Quando ela sorri
A vida lhe sorri também

E seus irmãos diziam
Seja forte, menina, o mundo é grande
Suas irmãs lembravam
A firmeza mora em quem acredita

São mais de dez anos de caminhada
Cantando em palcos que lhe contam histórias
Juntando sua voz a sonhos iguais aos seus
É grata por cada passo
Porque cada canto compartilhado
É raiz que se aprofunda na terra

Mas hoje, é tempo de erguer a sua própria árvore
De cantar o seu próprio sonho
De fortalecer a sua raiz
Que nasceu do chão vermelho
E agora floresce no mundo inteiro

Hoje é uma árvore inteira
Raiz profunda
Galho que toca o céu

Carrego Minas dentro de mim
Assim como cada voz que me acredita
Cada reza que me guarda e me atravessa
Cada gesto de mainha que lhe chamava de volta à vida

Sou gratidão que floresce
Sou vida que insiste
Sou canção que nunca para
Ela é raiz do mundo

Composição: Regiane Cordeiro