Nesse instante em que acordo, pegando meu celular
Me vejo excluído de fatos, de fotos, de vidas pra imitar
Não vejo sentido naquilo que vejo, pois vejo status ao contrário
E a cada postagem lida, se espera curtidas pra ser validado
Caminho sem rumo, numa casa quente, olhando tomadas vazias
A fim de carregar uma tela que me descarrega todos os dias
Resumem o mundo em poucos segundos, num arrastar pra cima
Encurtam as falas, recortam as almas, desprezam toda uma vida
Se eu discordo, é não entendi
Se questiono: Interpretei mal
Na minha tristeza, é desculpe se fiz
No meu silêncio: Exagero banal
Toda mentira é nunca menti
Minha reclusão é desprezo moral
Decepção virou eu nunca quis
Se afastar é saúde mental
É bio descrevendo o que não há, pra ser exato
É foto de perfil trocada, achando que pode mudar um fato
Se o bloqueio tem mesmo um porquê, seja então página não encontrada
No algoritmo do amor, a dor não é visualizada
Me sinto, a cada minuto, no meio de um mundo não tripulado
Onde coisas exatas passaram a ser falhas, mudando de lado
A vida corrida, tela dividida, postar para ser lembrado
O que outrora foi espelho passou a ter filtros e rosto editado
A vida perfeita num post que vi me faz ser tão limitado
Confesso que o sorriso no retrato
Me parece ser um close muito mais forçado
Tem que postar pra se ver, como o existir tivesse que provar
Num vídeo curto, por favor, naquele editor, para alguém me notar
Se um dia o impulso passar e a curiosidade te fizer voltar
Esperando sinais de bom dia, tentando o meu tempo rastrear
Talvez só encontre o silêncio, talvez não haja nada pra olhar
Pois no bloqueio de uma dor, seu visto por último não vai me mudar
É bio descrevendo o que não há, pra ser exato
É foto de perfil trocada, achando que pode mudar um fato
Se o bloqueio tem mesmo um porquê, seja então página não encontrada
No algoritmo do amor, a dor não é visualizada