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Tabaco

Roberto Goyeneche

Tabaco

Tu voz surgió de las sombras
como un lejano reproche;
tu voz que llora y me nombra
mientras más aún se asombran
los fantasmas de esta noche.
Están mis ojos cerrados
por el terror del silencio;
mi corazón, desgarrado
porque no me he perdonado
todo el mal que te causé.

Más, muchísimo más
extrañan mis manos tus manos amantes...
Más, muchísimo más
me aturdo al saberte tan cerca y tan distante...
Y mientras fumo forma el humo tu figura
y en el aroma del tabaco tu fragancia
me conversa de distancias,
de tu olvido y mi locura...
Tú que vives feliz
tal vez esta noche te acuerdes de mí.

Parece un sueño de angustias
del que despierto temblando
y están tiradas y mustias
las violetas de esa angustia
y mis ojos sollazando.
Los pobres siguen cerrados
por el terror del silencio...
Mi corazón, desgarrado
porque no me he perdonado
todo el mal que te causé.

Tabaco

Sua voz surgiu das sombras
como um distante reproche;
sua voz que chora e me nomeia
enquanto mais ainda se espantam
os fantasmas desta noite.
Estão meus olhos fechados
pelo terror do silêncio;
meu coração, despedaçado
porque não me perdoei
todo o mal que te causei.

Mais, muito mais
minhas mãos sentem falta das suas mãos amantes...
Mais, muito mais
me atordoam ao saber que você está tão perto e tão distante...
E enquanto fumo, a fumaça forma sua figura
e no aroma do tabaco, sua fragrância
conversa comigo sobre distâncias,
do seu esquecimento e da minha loucura...
Você que vive feliz
talvez esta noite se lembre de mim.

Parece um sonho de angústias
do qual acordo tremendo
e estão jogadas e murchas
as violetas dessa angústia
e meus olhos soluçando.
Os pobres continuam fechados
pelo terror do silêncio...
Meu coração, despedaçado
porque não me perdoei
todo o mal que te causei.

Composição: Armando Pontier