Audacia
Me han contado y perdonáme que te increpe de este modo
Que la vas de partenaire en no sé qué bataclán
Que has rodado como potrillo que lo pechan en el codo
Engrupida bien debute por la charla de un bacán
Yo no manyo francamente lo que es ser la partenaire
Aunque digan que soy bruto y atrasado... ¡qué querés!
No debe ser nada bueno si hay que andar con todo al aire
Y en vez de batirlo en criollo te lo baten en francés
Después dicen y este dato ¡qué querés! Me desconsuela
Pues viene de los muchachos que te han visto trabajar
Que salís con otras minas a llenar la pasarela
Y a cantar si lo que hacen se puede llamar cantar
Vos que no tenés ni oído ni para el arroz con leche
Y cantabas la morocha como número de atracción
Quien te viera tan escasa de vergüenza y de peleche
Emprenderla a los berridos cuando suena un charlestón
¡Te han cambiado! ¡pobre mina! Si tu vieja la finada
Levantara la cabeza desde el fondo del cajón
Y te viera en esa mano tan audaz y descocada
Se moría nuevamente de dolor e indignación
Vos aquella muchachita a quien ella sanamente
Educó tan calladita; tan humilde y tan formal
¡Te han cambiado! ¡pobre piba! Te engrupieron tontamente
Bullanguera mascarita de un mistongo carnaval
Audácia
Me contaram e desculpa por te chamar assim
Que você tá de parceira em sei lá qual bagunça
Que você rodou como um potro que leva um golpe no cotovelo
Enganada, bem no começo, pela conversa de um cara legal
Eu não entendo, sinceramente, o que é ser a parceira
Embora digam que sou burro e atrasado... o que você quer?
Não deve ser nada bom se tem que andar com tudo exposto
E em vez de falar em português, falam em francês
Depois dizem e esse detalhe, o que você quer? Me desanima
Pois vem dos caras que te viram trabalhar
Que você sai com outras minas pra encher a passarela
E a cantar, se o que fazem pode ser chamado de cantar
Você que não tem nem ouvido nem pra arroz doce
E cantava a morena como número de atração
Quem te visse tão sem vergonha e sem pudor
Gritando quando toca um charlestão
Te mudaram! Coitada! Se sua mãe, a finada
Levantasse a cabeça do fundo do caixão
E te visse nessa mão tão audaciosa e sem vergonha
Ela morreria de novo de dor e indignação
Você, aquela menininha que ela educou direitinho;
Tão quietinha, tão humilde e tão formal
Te mudaram! Coitada! Te enganaram bobamente
Festeira, mascarada de um carnaval qualquer