Tambor no peito, areia no ar
Khemet-luz vai sussurrar
(Shh-shh-shh)
O destino quer te achar
Nas ruas de pedra que brilham de noite
Templo alto e segredo trancado
Eu era criança curiosa e sem medo
O mundo era um livro dourado
Entre colunas eu vi o proibido
Olho escolhendo quem vai cair
E quando a luz tocou minha pele
Eu senti que ele estava a me seguir
Voz no vento, chama no altar
Dizem meu nome
Eu mando calar
Se eu encaro o futuro ele me encara também
Se eu solto a faixa não volta ninguém
Sou a vendada de ouro (oh-oh)
Um olho aceso no escuro (oh-oh)
Se eu abrir, o mundo muda de cor
E o destino dança no tambor
Sou a vendada de ouro (oh-oh)
(Corre, corre)
Sente o calor (oh-oh)
(Shh, shh)
Jura pra mim
Não diz meu nome até o fim
Na noite, sem bandeira e sem rosto
Chegaram pisando o chão do sagrado
Astrólogos negros por dentro do pano
Símbolo antigo costurado
Templo caiu
Oração virou cinza
Última escolha foi dor e luz
Selaram o olho
No meu corpo
Pra não virar troféu nas mão dos cruéis na cruz
Faixa por faixa
Promessa no ar
Ouro moído pra me segurar
Se eu vejo demais, a realidade vai rachar
E algo do outro lado vai começar
A chamar
Sou a vendada de ouro (oh-oh)
Um olho aceso no escuro (oh-oh)
Se eu abrir, o mundo muda de cor
E o destino dança no tambor
Sou a vendada de ouro (oh-oh)
(Corre, corre)
Sente o calor (oh-oh)
(Shh, shh)
Jura pra mim
Não diz meu nome até o fim
Virei passos na poeira do mapa
Virei sombra que cobre em segredo
Eu não peço moedas nem glória
Eu cobro histórias, confissão e medo
Se fico em silêncio por muito tempo
O olho devora meus sonhos em vão
Mostra futuros que me quebram por dentro
E me faz desconfiar do próprio chão
E eles vêm, vêm, vêm, vêm
Halvann, sem rosto
Espelho no olhar
Querem meu selo
Querem meu brilho
Querem meu corpo pra controlar
Eu fujo, eu corto, eu rezo baixinho
Eu aprendi a sobreviver
Mas cada visão é um risco
E o risco começa a crescer
Achei uma frase enterrada no templo
Escrita pra nunca existir
E doeu como areia no peito
Quando eu li sem conseguir fugir
Eu não sou só prisão nem só cicatriz
Eu sou a fechadura do que sempre quis
A portadora do olho é a porta
Diziam: A porta um dia vai abrir
E quando eu afrouxo uma faixa
Eu o escuto do outro lado sorrir
Sou a vendada de ouro (oh-oh)
Um olho aceso no escuro (oh-oh)
Se eu abrir, o mundo muda de cor
E o destino dança no tambor
Sou a vendada de ouro (oh-oh)
(Corre, corre)
Sente o calor (oh-oh)
(Shh, shh)
Jura pra mim
Não diz meu nome até o fim
Três relíquias no meu caminho
Lâmina do silêncio pra laço cortar
Sal de Khemet
Círculo vivo
Livro sem páginas pra me guiar
Se eu quebrar o selo
Eu quebro o destino
Se eu sou a porta eu vou decidir
Ou eu fecho o mundo pra sempre
Ou deixo o antigo sair daqui