É uma escrita cuneiforme
Quando o dente talha o nome
E na língua faz-se o tombo
Dos arquivos desta fome
Se dos 7 for pecado
Não é gula, na verdade
São vanglórias do passado
Duma boca com saudade
O sintoma é secura
Nunca a fome foi tão escura
Eis a prova que nem tudo o tempo cura
A barriga na miséria
Dentes soltos em precária
É da boca que se sente solitária
Não há problema em ter coração na boca
O problema é termos a boca na boca
Céu da boca, subcave
Sete chaves, nunca chove
Já nem soam campainhas do Pavlov
Reabertos os desmaios
Hibernados os anseios
Crescem, mesmo em velha língua, novos freios
Não há problema em ter coração na boca
O problema é termos a boca na boca