VI, VIVI BELÉM

Sandro Destro Lima

Dei uma volta na Cidade das Mangueiras
Fiquei surpreso com tudo que vi por lá
E olha que eu não estou de brincadeira
De pôpôpô, quase não saio mais de lá

Pedreira-Lomas tava me deixando tonto
Deu tanta volta, não sei o que aconteceu
Tempo fechou, eu decidi descer na rua
Chuva das duas chegou, que banho me deu!

Fui ao Forte do Presépio, tão antigo
Vi o Olympia, restaurado, inaugurar
Povos indígenas, também o Soledade
No Dois Irmãos vi atabaque ressoar

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Quem te quer bem, nunca te esquece
Terra de Fafá, de Lucindo e Onete

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Tem miriti, e também tacacá
E tem maniçoba, de sobra, pra dar

Cepeceana, eu vi na Praça da Bandeira
Piramutaba, lá na Rua Gama Abreu
Todas de saia, num encanto de sereia
Égua, sumano, minha perna até tremeu

E vi o Rancho pôr o Jurunas no samba
Vi Pavulagem convocar seu batalhão
Da escadinha, me achando todo bamba
Eu fui parar na bateria do Quenzão

Mestre Solano eu não vi de brincadeira
Melhor que ele, na guitarra, inda não há
Fui à Chiquita e ao Gilson, de bobeira
Dormi na rede à beira do Rio Guamá

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Lugar de encanto e muita emoção
Seja na República ou na Cremação

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Morena flor do meu Grão-Pará
Da orla mais linda na UFPA

Vi a orquestra, no Da Paz, sem precedente
Nos Mercedários ouvi câmara tocar
Eu vi, na corda, um mar de gente comovente
E, na berlinda, vi a Nazinha passar

Fui ao Veropa comer peixe com açaí
Veio a morrinha mal pude me alevantar
Mazulha, já, eu tava quase paraense
Só dei um pulo e fui olhar o Guajará

Depois voltei e fui à Estação das Docas
Porto Futuro e Curro Velho de uma vez
Vim do Combu à Manga City em poucas horas
Aperreado porque tinha só um mês

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Mesmo diante do entreveiro
Entre Cotijuba, Outeiro ou Mosqueiro

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
No Mangueirão vou ver o Re-Pa
Também vou ao Souza ver Tuna brilhar

Eu vi morena de cabelos muito longos
E saia grande que era a coisa mais bacana
De pé, em frente ao grande templo da 14
E deduzi que ela era assembleiana

Murutucu eu vi contando sua história
Em pensamento visitei seu apogeu
A Cabanagem veio à minha memória
Se eu não sou um paraense, quem sou eu?

Vim do outro lado sem saber o que veria
E viveria aqui na terra do aluá
Agora eu sei que o que eu mais quero na vida
Meu Deus que todo ano eu volte pra lá

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Se Nilson Chaves, o poeta, for cantar
Eu sigo o barco e rasgo de volta pra lá

Belém, meu bem, Belém, meu bem
Quero voltar pra ficar tudo zen
Tem carimbó, também tem siriá
E aparelhagem onde vou dançar


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