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Tormenta

Santa Cora

Quantas vezes um sorriso mentiroso
Escondeu a tempestade no meu peito?
Quem inveja meu semblante luminoso
Carregaria minha dor por quanto tempo?

A vida corre e não quero seguir
Não quero aceitar
Que não vai se repetir, não!

Há um passado que ainda não sumiu
Eu guardo tudo numa caixa em minha mente
Na memória a alegria resistiu
Bem diferente da tragédia do presente

Alguém me ensine
Como posso viver!
Em um dia está tudo bem
E no outro as lembranças vêm

Me ensine, eu imploro
Como me libertar
Da saudade profunda
Por aquilo que não vai voltar

Olhos se fecham, abre-se a caixa de emoções
A luz nascente passeia entre a folhagem
O despertar é embalado por canções
O amanhecer vai colorindo a paisagem

As grandes portas rangem com o vento
O agridoce das frutas ainda existe
A voz chamando ao longe é um alento
Mas quando os olhos se abrem, tudo é triste