Mi Ciudad
Hay un lugar, muy cerca de aquí
donde no llega el aire.
La luz del sol no puede pasar
se disuelve entre humo.
La fábrica tiene un ritmo infernal
día y noche, no quiere parar.
Los coches invaden todo lo que ven sin cesar.
Grupos de gente sin nada que hacer
se calientan las manos,
miran al fuego, quisieran saber
cuál será su futuro.
Les han prometido un gran porvenir
si soportan lo que ha de llegar,
mientras la espera se alarga aún más, qué más da.
Mi ciudad no está para bromas, no puede esperar.
Mi ciudad quedó como centro en la inmensidad.
Mi ciudad sirvió de refugio a quien necesitó.
Un horizonte para comenzar, un lugar donde vivir.
Casas en ruina, visible humedad
que se agarra a los huesos.
Viejas farolas, no alumbran ni a dios
en las noches de invierno.
En un laberinto de calles sin fin
codo a codo debemos vivir.
Los niños se fueron, querían jugar,
qué más da.
Alzo mi voz, juro que no has de morir
y si te puedo ayudar, aquí estaré.
Minha Cidade
Há um lugar, bem perto daqui
onde o ar não chega.
A luz do sol não consegue passar
se dissolve entre a fumaça.
A fábrica tem um ritmo infernal
dia e noite, não quer parar.
Os carros invadem tudo que veem sem cessar.
Grupos de gente sem nada pra fazer
esquentam as mãos,
miran pro fogo, gostariam de saber
qual será seu futuro.
Prometeram um grande futuro pra eles
se aguentarem o que está por vir,
m enquanto a espera se estica ainda mais, que se dane.
Minha cidade não tá pra brincadeira, não pode esperar.
Minha cidade ficou como um ponto no imenso.
Minha cidade foi abrigo pra quem precisou.
Um horizonte pra recomeçar, um lugar pra viver.
Casas em ruínas, umidade visível
que se agarra aos ossos.
Velhas lâmpadas, não iluminam nem a deus
nas noites de inverno.
Em um labirinto de ruas sem fim
lado a lado devemos viver.
As crianças se foram, queriam brincar,
que se dane.
Levanto minha voz, juro que você não vai morrer
e se eu puder ajudar, aqui estarei.